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O fantasma do medo e do mistério norteiam a trama do thriller “O Silêncio do Céu”, que já começa tenso. Logo de cara, uma sufocante cena de estupro envolvendo a personagem da bela Carolina Dieckemann. Aqui ela é Diana, pacata proprietária de uma loja de roupas femininas há tempos radicada em Montevidéu. É na capital uruguaia que ela vive com o marido Mario (Leonardo Sbaraglia), que viu tudo, mas se omitiu diante do crime.

Covarde? Sim, e no sentido mais direto e infame da palavra, já que Mario é um homem que sofre de várias fobias. O medo diante da violência é só uma delas. Ele até esboça alguma reação diante do acontecido, chega a espetar a mão num cactus, pega uma pedra como arma para atacar os algozes da mulher. Mas não consegue ir adiante. Depois, de tesouras na mão, sai correndo pela rua tentando salvar a honra da casa, mas já de nada adianta mais.

Mais tarde, quando volta para casa trazendo os filhos da escola, ele finge que nada aconteceu. Pior. Apesar de apreensiva, Diana age do mesmo jeito e um agônico silêncio, junto com sentimento de culpa interior, vergonha, medo, claro, e tensão, perpassa essa frágil relação de 14 anos retomada após uma separação de dois anos.

Opressão do silêncio norteada por clima de mistério
Terceiro longa do jovem cineasta paulista Marco Dutra, “O Silêncio do Céu” é um autêntico filme de clima, em que o estranhamento diante de situações de extremos e personagens atormentados por conflitos interiores conduz a trama. A ambiguidade da narrativa, que parece oscilar entre o onírico e o delírio, atenua ainda mais esses dois polos, confundindo o espectador quanto ao que aconteceu de fato. É a opressão do silêncio norteada pelo mistério.

Mistério quando Mario, se sentindo humilhado e confuso com o que aconteceu, passa a seguir os estupradores de sua mulher por uma Montevidéu sombria e oculta, fazendo com que a cidade se confunda com ele e os criminosos e vice-versa. Vai acabar parando num viveiro onde uma velhinha manca e seu filho meio bronco (Chino Darín, filho do galã argentino Ricardo Darín), como em um filme de Hitchcock, parecem esconder alguma coisa.

O desfecho dessa história dramática, que vira um suspense envolvente quando o marido banca o detetive de si mesmo, não é lá grande coisa. Mas até chegar ao fim, o espectador já passou por poucas e boas junto com os personagens, mergulhados dentro de premissa dramática que é a questão da violência sexual. Bem que poderia ter mais parcerias entre o cinema brasileiro e os produtores hermanos.

Cotação: Bom

Confira salas e horários de “O Silêncio do Céu”

 

 

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