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Em “Personal Shopper”, Kristen Stewart, a atriz que já é bem mais do a Bella de “Crepúsculo”, anda de scooter pelas ruas de Paris. Carrega sacolas de compras com roupas e joias caras. Assistente de uma designer e modelo alemã, a jovem Maureen também se comunica com fantasmas e procura entrar em contato com seu irmão gêmeo, morto há poucos meses.

A sinopse um tanto estranha de “Personal Shopper” mal arranha as maneiras como o filme pretende se mostrar para o público. Olivier Assayas (“Irma Vep”, “Horas de Verão”), diretor francês obcecado por entortar as identidades de seus personagens, dispensa qualquer sugestão de “comentário sobre o consumismo”.

Não faltaria material, aliás: Kristen, atriz de uma saga considerada fútil, no papel de uma profissional que compra bens inúteis para uma chefe rica e aparentemente desimportante. Após dirigir a estrela em “Acima das Nuvens” (2014), Assayas desbrava esse mundo de aparências atrás de algo tão fugidio quanto: fantasmas, talento para a mediunidade, comunicação com o além.

O real e o fantástico
Assayas posiciona seu ponto de vista justamente nessa fresta que se abre entre o real (comprar coisas caras) e o imaterial (coisas invisíveis, mas sentidas). Há longas cenas de ida às compras, trânsito, viagens de metrô e scooter, entradas e saídas do apartamento da madame alemã.

Nos entreatos, à maneira de um filme oriental, o sobrenatural se mistura ao cotidiano. Enquanto escolhe esse colar ou aquele vestido – e experimenta ela mesma alguns dos produtos –, Maureen, em busca de pistas sobre o irmão, responde mensagens de celular para um número não identificado. Seria seu irmão? Um espírito em linha cruzada? Ou um anônimo perigoso?

A originalidade de “Personal Shopper” coloca o filme numa fronteira sutil entre o realismo urbano contemporâneo e o fantástico sobrenatural. Por sorte, Maureen não precisa escolher entre um mundo e outro.

Avaliação: Ótimo

Veja horários e salas de “Personal Shopper”.

 

 

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