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A maratona de duas sessões competitivas por noite teve início nesta sexta (23/9), no 49º Festival de Brasília. O público compareceu de vez, provocando filas para entrada nas exibições e lotando o Cine Brasília.

Na tela, “Solon” abriu a sessão das 19h com uma fábula sobre a origem do mundo por meio de imagens abstratas e recursos de filmes de fantasia. Longa que encerrou o primeiro segmento competitivo da noite, “O Último Trago” (foto no alto) dividiu em três atos uma alegoria colorida e misteriosa sobre a vida de uma indígena no sertão cearense.

Leia críticas dos filmes exibidos na primeira sessão noturna desta sexta (23/9), no Festival de Brasília:

“O Último Trago” (CE), de Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti: uma fantasia em três atos
Não é pequena a ambição narrativa e visual neste novo longa do coletivo Alumbramento. Em três arcos narrados com estéticas distintas, o trio de diretores compõe uma alegoria sobre a herança indígena a partir de simbolismos misteriosos e filiações a gêneros de cinema.

Num primeiro ato todo silencioso, uma índia é resgatada à beira de estrada por um personagem enigmático. Valéria, pouco a pouco, percebe que foi escravizada e se vê no palco de uma boate masculina. Sob os olhares de seu captor e do público, ela dança até chegar a uma espécie de transe ritualístico e primal.

Divulgação

Após essa abertura no mínimo envolvente, encerrada com um bonito plano longo na casa noturna, “O Último Trago” revela seus anseios ao tentar atingir uma porção de notas: terror, drama espiritualista e até um musical meio burlesco e sertanista. Nos atos seguintes — num bar e numa praia –, o roteiro se trai ao entregar cenas absurdamente expositivas e outras misteriosas.

A preocupação em entregar imagens bonitas — fotografadas por Ivo Lopes Araujo, que também trabalhou no curta “Solon” — acaba denunciando a falta de cuidado do filme com a própria narrativa a ser desenrolada. Quando a afetação visual emperra o que se quer contar.

Avaliação: Ruim

Ivo Lopes Araujo/Divulgação

“Solon” (MG), de Clarissa Campolina: quando o Gênesis é uma performance
Tecnicamente impecável, o filme narra o surgimento do mundo — ou de um outro mundo — por meio de uma narrativa silenciosa em diálogos, mas ruidosa em seus estalos e sons. Um personagem algo primitivo caminha por entre labaredas de fogo, rochas ferventes e terra úmida. Com seus braços gigantescos, o ser compõe como que um ato de performance: é o Gênesis visto por movimentos de uma dança intuitiva e natural.

Até que a metamorfose se completa e da carcaça sai uma espécie de Eva — e não o pioneiro Adão da tradição bíblica. Clarissa consegue reler muito bem esse mito de criação a partir de imagens expressivas. Ao mesmo tempo, fica a impressão de que “Solon” merecia mais tempo de tela para que suas sutilezas visuais ganhassem respiro e relevo.

Avaliação: Regular

 

 

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