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Longa-metragem de estreia do ator Guilherme Weber, “Deserto” (foto no alto) encerrou a mostra competitiva do 49º Festival de Brasília na noite desta segunda (26/9), no Cine Brasília. Com Cida Moreira, Lima Duarte e Everaldo Pontes no elenco, o filme acompanha a formação de uma comunidade por artistas em pleno sertão brasileiro.

Antes, “Os Cuidados que se Tem com o Cuidado que os Outros Devem Ter Consigo Mesmos” (SP) fechou a disputa pelo Candango entre os curtas-metragens. Caetano Gotardo e Nash Laila compõem o cotidiano de um apartamento ocupado por quatro pessoas que decidiram se isolar do mundo por uns tempos.

Leia críticas dos filmes exibidos nesta segunda (26/9), no Festival de Brasília:

“Deserto” (RJ), de Guilherme Weber
O longa de estreia de Guilherme Weber chega para compor uma certa tendência mais ou menos recente de crônicas sobre trupes artísticas, como “O Palhaço”, “Pobres Diabos” e “Sangue Azul”. Oito artistas decadentes não conseguem mais tablado ou plateia. Resolvem se fixar numa cidade abandonada no sertão e ali fundar uma comunidade – com papéis, funções e obrigações sociais.

Com procedimentos de encenação herdados do teatro, Weber concentra a câmera nos conflitos que se criam entre os personagens. Por meio de um sorteio, eles adquirem “profissões”: militar, prostituta, cozinheira, caçador, padre, médico e negro – aqui como uma alusão à exploração escravista da mão de obra.

Divulgação

Assim que os artistas se desgarram de suas vocações, eles se tornam aberrações sociais a destilar preconceitos, lugares comuns e atos de violência e abuso um contra o outro. Nessa utopia de fim de mundo, a arte surge como único refúgio possível, ainda que a classe esteja mais preocupada em envelhecer em paz, protegida pelo véu da hierarquia.

Weber registra afeto e ousadia na relação com que conduz o elenco em determinadas passagens, sobretudo no belo monólogo do personagem de Lima Duarte e nos momentos em que a trupe se revela mais ríspida e hostil. No mais, os resultados soam ora calculados, ora carentes de sutileza visual. Um épico minimalista sobre a arte do ator.

Avaliação: Regular

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“Os Cuidados que se Tem com o Cuidado que os Outros Devem Ter Consigo Mesmos” (SP), de Gustavo Vinagre
A resistência como residência. Quatro pessoas (Caetano Gotardo, Nash Laila, Julia Katharine e Luiz Felipe Lucas) dividem o mesmo teto e tarefas do cotidiano. Lá fora, protestos tomam a rua e, como lamenta o personagem de Lucas, a intolerância tem vitimado gays, lésbicas, transexuais, negros, mulheres. A saída é ficar em casa e sobreviver se apoiando no afeto recíproco.

Vinagre consegue estabelecer esse microcosmo com muita naturalidade, tanto em diálogos típicos de uma relação entre amigos íntimos quanto em sequências simbólicas – o pé de Tan (Gotardo) sendo regado, Tan chorando ao som de uma música de Cida Moreira, os quatro deitados em formato escadinha na mesma cama, no plano final. Imagens bonitas que parecem sobrar num trabalho curioso, mas por fim ensimesmado.

Avaliação: Regular

 

 

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