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Lino Meireles não sabe precisar quando foi a primeira vez que compareceu ao Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), mas lembra-se muito bem do dia em que uma conversa com o cineasta Dirceu Lustosa o inspirou a criar um projeto de conservação da memória do evento cinematográfico mais antigo do país.

Na praça de alimentação do Cine Brasília, Lustosa narrava sua alegria em relação à sessão comemorativa de 20 anos de “Depois do Escuro”, o primeiro trabalho no cinema do ator Rodrigo Santoro, filmado em Brasília e dirigido por ele. “Achei a história muito boa e pensei: quantas outras não foram registradas em lugar nenhum?”, recorda-se Lino.

Essa foi a gênese do projeto “Candango – Memórias do Festival”, composto por um filme documentário (em fase de finalização) e um livro baseado em conversas com 71 participantes, entre atores, atrizes, cineastas, produtores, críticos de cinema e organizadores do FBCB. Trechos dessas entrevistas compõem as 400 páginas de “Candango – Memórias do Festival Vol.1”, a ser lançado no próximo sábado (16/9), às 19h, no Cine Brasília (EQS 106/ 107 Sul).

“Eu queria fazer um filme sobre esse evento que adoro e ter a oportunidade de sentar para conversar com personalidades do cinema nacional. Aceitaram falar comigo e com nossa equipe por causa da importância do Festival de Brasília, não por algum mérito específico nosso. Para mim, isso é um atestado do amor e da nostalgia que as pessoas sentem pelo FBCB”, avalia Lino.

Felipe Menezes/Metrópoles

Livro mostra a história oral do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

 

Haja conversa. Cerca de 65 horas de entrevistas foram recolhidas em filmagens em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife. “Eu nunca tinha entrevistado alguém antes, estava completamente intimidado, e por isso, nas primeiras, fui aprendendo. Quando criei coragem, minha primeira entrevista ‘solo’ foi com Vladimir Carvalho. Durou três horas”, relembra.

Nomes de peso
Veteranos do cinema brasileiro como Ruy Guerra, Cacá Diegues, Neville D’Almeida, Lúcia Murat, Helena Ignez e Suzana Amaral juntam-se aos nomes da nova geração, por exemplo, Kiko Goifman e as atrizes Marisol Ribeiro e Maeve Jinkings. Os brasilienses José Eduardo Belmonte, Maíra e Iberê Carvalho, Santiago Dellape, Cibele Amaral, Juliano Cazarré e Murilo Grossi também dão testemunhos para o filme/livro.

No livro, utilizei uma técnica de literatura que transforma os personagens em narradores. As páginas são compostas com as palavras dos próprios entrevistados, formando assim uma grande conversa cronológica. Claro que não é uma ‘história oficial’. É a minha versão dessa história, a partir das entrevistas"
Lino Meireles

Vem mais por aí
Lino Meireles sabe que seu trabalho não é conclusivo. Ao contrário, o autor deixa aberto espaço para um volume 2 da obra, que nem mesmo precisa ser escrito por ele. “Fica o convite a futuros escritores que também queiram fazer uma versão da história do festival. Terminei meu livro, mas o evento continua.”

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi fundado em 1965 pelo crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes, à época professor da Universidade de Brasília (UnB). Sua realização foi interrompida por três anos durante a ditadura militar. Portanto, em 2017, ele completa 53 anos de existência e 50 edições.

Perfil
Lino Meireles é também Luiz Estevão de Oliveira, cuja família é dona do Metrópoles. “Candango – Memórias do Festival Vol.1” é o título de estreia da Editora Metrópoles, especializada em publicações internas. O livro pode ser encomendado gratuitamente pelo site, com entregas feitas em todo o Brasil.

Lançamento do livro Candango – Memórias do Festival de Brasília Vol. 1
Sábado (16/9), às 19h, no Cine Brasília (EQS 106/107 Sul), com a presença do autor, Lino Meireles. Editora Metrópoles, 400 páginas. Entrada livre. A publicação será distribuída gratuitamente. O livro pode ser encomendado pelo site.

 

 

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