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O fim de semana não começou bem para os ciclistas do Distrito Federal. Em menos de 24 horas, quatro condutores de bicicletas ficaram feridos e um morreu. Os números reforçam uma triste estatística: até setembro, 11 brasilienses perderam a vida enquanto pedalavam pelas vias da cidade. Os acidentes trazem de volta o debate sobre a falta de ciclovias, ausência de sinalização e desrespeito por parte de motoristas e ciclistas quando o assunto é trânsito.

Neste sábado (26/11), Eric Bonna, 25 anos, morreu depois de ser atropelado por uma camionete, no Setor de Mansões Dom Bosco (SMDB). O impacto foi tão forte que a bicicleta foi arremessada para o canteiro central da via e partida ao meio.

O condutor da camionete afirmou aos policiais que dirigia na velocidade da via quando, de forma “repentina”, o ciclista teria cruzado na frente de seu veículo.
Para a aula ou o trabalho

De acordo com a pesquisa Perfil do Ciclista Brasileiro, primeira do gênero no país, divulgada no final do ano passado, no DF 81,3% dos entrevistados usam as bicicletas para se dirigirem ao trabalho e 76,9% vão para a escola e a faculdade pedalando. Para as ONGs que defendem os ciclistas, os dados mostram a importância das bikes como meio de transporte e não apenas como equipamento de lazer.

“É preciso entender que o número de usuários de bicicleta está em expansão e que o maior deve proteger o menor, como prevê a lei”, ressalta o coordenador da ONG Pedal Noturno-DF Fernando Ômega.

Atualmente, a extensão malha cicloviária em todo Distrito Federal está estimada em 411 km, entre os trechos já concluídos e os que ainda estão em construção. A meta do governo é estender as ciclovias e atingir, em quatro anos, 649 km em ciclovias e de ciclofaixas, integrando a bicicleta com os outros meios transportes.

Porém, em uma cidade em que a proporção de veículos particulares é de 55 para cada 100 pessoas, com menos de dois moradores por carro, fica difícil falar em integração, divisão ou compartilhamento de espaços.

Daniel Ferreira/Metrópoles

O diretor de Fiscalização do Departamento de Trânsito (Detran-DF) Silvain Fonseca chama a atenção para essa questão. “Onde tem ciclovia é obrigatória a utilização do espaço pelo ciclista, mas muitas vezes eles acabam usado a faixa dos carros. Por isso, temos feito campanhas para conscientizar não apenas motoristas, mas ciclistas”, alerta.

Invasão do acostamento
Ele lembra, também, que não é raro motoristas invadirem a ciclofaixa e o acostamento, colocando em risco a vida dos ciclistas. Como ocorreu na noite de sexta-feira (25/11). Um motorista embriagado, segundo a polícia, atingiu um grupo de 40 pessoas que fazia pedal noturno. Três pessoas ficaram feridas.

Beber e dirigir, entretanto, não é irresponsabilidade apenas de quem está no comando de um automóvel. Segundo Fonseca, levantamento realizado em 2014 apontou que dos 20 ciclistas que morreram nas vias do Distrito Federal, metade estava alcoolizada ou havia usado drogas ilícitas antes do acidente.

“Por isso, temos feito um trabalho para que também os ciclistas não bebam antes de ir sair de bicicleta”, destaca.

Orientações de segurança para que pedala:

– Visibilidade, roupas claras, luzes noturnas, adesivos refletivos.
– Pedale pela direita e na mesma direção do trânsito (a maioria dos acidentes acontece quando o ciclista está na contramão)
– Não pedale muito na direita colado no meio-fio, senão os carros vão tentar passar na mesma faixa em que você está, mesmo que não haja espaço. Isso também ajuda a evitar o perigo de buracos e bueiros sem tampa
– Respeite os pedestres, pare nas faixas e nos sinais
– Evite as grandes avenidas
– Procure sinalizar com as mãos, alertando os motoristas sobre o que vai fazer, pedindo ou dando passagem e agradecendo
– Em esquinas onde muitos carros viram à direita, tome cuidado adicional
– Sempre se adiante ao que os carros podem fazer e permita que os carros antecipem o que você vai fazer.

 

 

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