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Dedé Roriz, um dos sobrinhos do ex-governador Joaquim Roriz, usou as redes sociais para dizer que foi vítima de perseguição política. O motivo? Ele teve o carro apreendido e guinchado por agentes do  Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF). O veículo estava com o IPVA atrasado e sem o licenciamento. De acordo com ele, entretanto, as irregularidades não teriam sido a verdadeira razão para ficar sem o automóvel, mas sim um adesivo com seu nome afixado no automóvel.

A abordagem foi feita no Jardim Botânico, por volta das 22h de domingo (2/10). “Me seguiram, não era blitz, foi mera perseguição politica. Estão levando o meu carro para o depósito do Detran em pleno domingo, com meus dois filhos pequenos. Não me recusei a receber a multa, só queria um pouco de bom senso. Os bancos estão em greve, não tem como pagar o IPVA do carro”, disse. Depois, sem nenhum constrangimento e mesmo estando irregular, garantiu que não viola as leis de trânsito.

A publicação gerou imediata polêmica nas redes sociais. Internautas não concordaram com a postura de Dedé e fizeram críticas. “É Dedé, dessa vez não dá para te apoiar, ninguém está ou deve estar acima da lei. E você deveria ser primeiro a apoiá-los. E pedir desculpa por não estar devidamente documentado. O IPVA já venceu faz tempo e a greve bancária é recente. Desculpa campeão, mas você está errado”, diz um dos comentários.

A exigência do licenciamento desde sábado (1º) foi divulgada amplamente pelos órgãos de trânsito e fiscalização. O Distrito Federal tem 1.653.958 veículos registrados e desse total 1.011.195 veículos (61%) já estão com a documentação. Os boletos para pagamento podem ser emitidos nos sites da Secretaria de Fazenda e do próprio departamento, e pagos em caixas eletrônicos. Nos postos do Na Hora também é possível fazer a regularização dos veículos.

“Bom senso”
O sobrinho de Roriz disse que não quer privilégios ou tratamento diferenciado: “Amigos, entendam que, em nenhum momento, quis ser privilegiado. Agora, bom senso não faz mal a ninguém. Não me recusei a receber a multa, só acho que não havia necessidade de guinchar um carro em pleno domingo à noite com duas crianças pequenas”.

Ao Metrópoles, reforçou que não se considera acima da lei. “Estou há 20 dias tentando pagar o IPVA. Cheguei a ir no Na Hora, mas o sistema do Detran congestionou e os servidores estavam com indicativo de greve”, explicou. O veículo que ele usava, um Hyundai Sonata, pertence ao sogro. Dedé contou que seu carro está em manutenção e, atualmente, usa o automóvel que foi emprestado pela família da mulher. No vídeo que fez, ele citou que havia sido parado por agentes do Detran, mas na entrevista confirmou que eram do DER.

O DER informou, por meio de nota, que é procedimento comum consultar a situação do veículo pela placa. Após verificar a falta de licenciamento do carro conduzido por Dedé Roriz, os agentes acompanharam o automóvel e fizeram a abordagem. Segundo o órgão, a todo momento os agentes asseguraram que não deixariam a família desamparada no local, se dispondo a aguardar até que outro familiar fosse buscá-los.

Ainda de acordo com a nota, Dedé teria insistido em dirigir o carro até o depósito, ação que não é permitida pela legislação. O DER acrescentou que “jamais fará perseguição política a qualquer cidadão”.

Operações

Os órgãos de fiscalização fizeram um trabalho intensivo no fim de semana. Em operações realizadas entre meia-noite de sábado (1°/10) e 23h40 de domingo (02/10), o Detran autuou 72 condutores por dirigir veículo não licenciado. Desses, cinco não licenciaram no último ano, quatro possuíam restrições administrativas ou judiciais e os demais não possuem licenciamento há mais de dois anos.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), conduzir veículo que não esteja devidamente licenciado é infração gravíssima, com multa de R$ 191,54, sete pontos na CNH e remoção do veículo. Mesmo que o veículo esteja licenciado, não portar o documento também é considerado infração. Neste caso, o CTB prevê multa de R$ 53,20 e três pontos na CNH.

 

 

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