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Está mais caro e complicado tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Distrito Federal. Desde o ano passado, por exigência do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), os candidatos precisam registrar a presença nas aulas por meio de biometria. Além disso, de janeiro para cá, os alunos são obrigados a passar por um simulador eletrônico antes de pegar o volante. Resultado: a conta ficou salgada.

O Metrópoles fez uma pesquisa e descobriu que é impossível tirar a CNH por menos de R$ 2,1 mil no DF. O valor aumentou R$ 750 de 2016 para 2017. Tantas exigências também tornaram a burocracia, durante o processo, ainda maior. Em menos de 60 dias, ninguém consegue ficar habilitado a dirigir, mesmo que consiga passar na prova de volante na primeira tentativa (veja tabela abaixo).

Todas as dificuldades, aliadas à crise econômica que assola o país, refletiram na procura pelo documento. Segundo o Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Veículos Automotores (Sinauto), houve uma queda de até 40% no número de alunos este ano. “A gente teve que comprar o simulador, as câmeras, instalar a biometria. Os custos, claro, precisam ser repassados para o candidato”, afirmou o presidente da entidade, Francisco Joaquim Loyola.

A redução na busca pela CNH é comprovada pelos dados oficiais do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF). No primeiro semestre do ano passado, 24.533 condutores tiraram a carteira de motorista na capital do país. O número caiu para 18.117 no mesmo período de 2017, ou 26% menos.



O vaivém para tirar a CNH também ficou mais intenso. Além dos exames médico, teórico e prático, é preciso fazer cinco aulas no simulador e o aluno não pode ter menos que 20 aulas de direção pelas ruas do DF.

Para a estudante Samanta Tiveron, enfrentar o simulador de veículos antes do carro a deixou mais segura e confortável. No entanto, o pai, que pagou para ela tirar a CNH como presente de 18 anos, reclamou do valor salgado.

Meu pai disse que as autoescolas e o próprio Detran estão aproveitando das mudanças para explorar a gente. Ele não ficou nem um pouco feliz com o dinheiro que precisou desembolsar. Estava achando que seria mais barato"
Samanta Tiveron, candidata

O instrutor Rui Marcos da Silva, 28, disse que vem percebendo há alguns anos como a procura pelas autoescolas está caindo. Ele explica que, atualmente, todos os carros contam com câmeras para verificar a presença do aluno nas aulas e com um tablet, onde está instalado um aplicativo para a verificação da biometria. Dessa forma, segundo ele, é impossível que as empresas não aumentem o valor do serviço.

Goiás sem simulador
Outro fator que teria reduzido ainda mais a procura pelas autoescolas do DF seria o menor preço oferecido pelas concorrentes instaladas no Entorno. O valor final sai de R$ 400 a R$ 700 a menos nas cidades de Goiás. Uma das razões, além do menor custo no preço do aluguel e da mão de obra, seria a não obrigatoriedade do uso do simulador nos municípios goianos.

“Os alunos vão parar em Goiás porque o estado não está cumprindo a legislação”, ressalta Francisco Joaquim, presidente do Sindauto. Procurado pela reportagem, o Detran/GO explicou que, no estado, por força de liminar, o simulador não está sendo cobrado. No entanto, a decisão foi revogada na semana passada e, apesar de o órgão ainda não ter sido notificado, a situação deve mudar em breve.

Questionado sobre o alto custo para que o consumidor tire a carteira de motorista na capital do país, o Detran/DF explicou que apenas cumpre a legislação nacional e, por isso, passou a cobrar o uso do simulador e da biometria. “A gente não cria regras, no entanto, acredito que a tecnologia ajuda, sim, na segurança e na formação dos alunos”, defendeu o diretor-geral do órgão, Silvain Fonseca.

 

 

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