Terracap habilita empresa em que novo diretor da estatal trabalhava
O diretor de Prospecção e Negócios da estatal, Mário Lima, foi funcionário da Ernst & Young até abril deste ano, semanas antes de assumir o cargo no GDF. Logo após ser nomeado, o conselho da Terracap habilitou a multinacional para elaborar o estudo de gestão do Complexo Esportivo de Brasília, que inclui o Mané Garrincha

O edital para empresas privadas apresentarem um novo modelo de gestão do Complexo Esportivo de Brasília — que inclui o Estádio Mané Garrincha, o Ginásio Nilson Nelson e o Complexo Aquático Cláudio Coutinho — está sob suspeita. Indicado para o cargo em 5 de maio, o atual diretor de Prospecção e Formatação de Novos Negócios da Agência de Desenvolvimento de Brasília (Terracap), Mário Henrique Siqueira Silva e Lima, fazia parte da diretoria da Ernst & Young até abril deste ano. Em 8 de junho, a multinacional foi habilitada para participar do processo, o que chamou a atenção das concorrentes preteridas.

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Cinco empresas se candidataram a elaborar o projeto, sendo que a Ernst & Young decidiu participar do processo no último dia de inscrições, 8 de junho. E a Ernst & Young foi justamente uma das duas habilitadas pelo Conselho Técnico da Terracap. A outra foi a RNGD Consultoria de Negócios. A escolha da Ernst & Young levantou suspeita entre as empresas participantes, pela ligação entre Mário Lima e o antigo empregador.

“Desde que a Ernst e Young entrou na disputa, outras propostas que chegaram antes dela pararam de ser avaliadas. O novo diretor de Prospecção assumiu o cargo em maio, depois de ter acabado de sair da empresa, e logo depois ela foi habilitada. Existe algo, no mínimo, estranho”, disse o representante de uma das empresas que participaram do edital — ele pediu para não ser identificado.
O denunciante contou ainda que, há alguns meses, Mário Lima teria intermediado uma reunião entre a empresa GL, da China, com o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) para tratar da administração de complexos, mas não soube precisar qual deles.

Outro lado
Por meio de assessoria, a Terracap negou que haja interferência do diretor Mário Lima na questão. A estatal ressaltou ainda que o processo é público e foi divulgado por meio do Diário Oficial do Distrito Federal. Ainda de acordo com a agência, “a GL não teria interesse no Complexo Esportivo, mas no gerenciamento do Centro de Convenções”.
Segundo a Terracap, das cinco empresas que se candidataram na Proposta de Manifestação de Interesse, apenas duas apresentaram os requisitos necessários. O prazo para a apresentação dos projetos é de 120 dias, porém, a resposta sobre a escolhida não tem data para ser anunciada. “A execução da proposta ainda passará por licitação para definir qual empresa executará o projeto”, informou.
A Ernst & Young foi procurada pelo Metrópoles, mas, até a última atualização desta reportagem, não havia respondido aos questionamentos.
PMIs
O processo de abertura de edital para PMIs é baseado em lei federal, que prevê que as empresas apresentem propostas de gerenciamento de aparelhos públicos. A melhor proposta de viabilidade administrativo-financeira acaba sendo a escolhida, e os custos com a consultoria são pagos pela empresa que ganhar a licitação para a execução do estudo.
No caso do Complexo Esportivo, os estudos foram divididos em três fases: viabilidade técnica; viabilidade econômico-financeira e jurídico-institucional, e relatório do projeto de negócio. A última etapa é um consolidado de todos os estudos e inclui um teste de recuperabilidade do Mané Garrincha.
De acordo com o GDF, o custo de manutenção do estádio chega a R$ 700 mil por mês para cobrir despesas com energia, limpeza, reposição de peças e reparos na estrutura. Isso significa um gasto de R$ 8,4 milhões por ano. Em 2015, a arrecadação com taxas de eventos realizados no estádio não chegou a R$ 2 milhões.



