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Horas após protocolar, no Palácio do Buriti, documento no qual exige a publicação das exonerações dos cargos comissionados, o Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindepo) subiu o tom e assegurou que, a partir desta quarta-feira (14/9), as unidades que não tiverem delegados de plantão funcionarão apenas das 12h às 19h. “O serviço 24 horas será mantido apenas naquelas que têm central de flagrante”, afirmou o presidente do sindicado, Rafael Sampaio.

Dessa forma, se a medida for colocada em prática, entre as pouco mais de 30 delegacias espalhadas nas regiões administrativas, apenas nove devem permanecer abertas à noite: a 1ª DP (Asa Sul), a 5ª DP (Área Central), a 6ª DP (Paranoá), a 13ª DP, (Sobradinho), a 20ª DP (Gama), a 21ª DP (Taguatinga Sul), a 23ªDP (P Sul), a 29ª DP (Riacho Fundo) e a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA I). Todas as citadas contam com delegado e escrivão de plantão.

Vamos fazer isso não apenas por conta da Operação Legalidade, mas porque estamos funcionando totalmente sem condições. Nós sempre trabalhamos de forma irregular e com falta de efetivo. Viemos até aqui dessa forma na tentativa de fazer o melhor para a população. Mas sem delegado não dá para uma delegacia ficar aberta. Faltam servidores e condições"
Rafael Sampaio, presidente do Sindepo

Segundo o presidente sindicalista, na tarde de terça-feira (13), todos os chefes regionais e delegados-chefes se reuniram e tomaram a decisão de fechar as delegacias. A corporação já estava ameaçando concretizar o ato havia uma semana.

Entenda o caso
Os policiais estão mobilizados desde 4 de julho, quando foi deflagrada a Operação Legalidade. Nas delegacias, os servidores foram instruídos pelo movimento a não fazer relatórios ou assinar boletins de ocorrência de outras forças de segurança.

Em função da Operação Legalidade, até mesmo os desdobramentos da Operação Mr. Hyde, que investiga a Máfia das Próteses no Distrito Federal, estão sendo prejudicados, segundo informações da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco). Os servidores da PCDF cobram os mesmos 37% de aumento oferecidos pela União à Polícia Federal.

O outro lado
Procurado pelo Metrópoles, GDF informou que já fez três propostas à categoria: “A última delas, feita em 5 de setembro, tem o mesmo percentual de 37% de reajuste pleiteado pela Polícia Federal – que ainda depende de aprovação no Congresso Nacional. A diferença está nos prazos e índices. A primeira parcela do reajuste, de 7%, seria paga em outubro de 2017, seguindo com um acréscimo de mais 8,5% em outubro de 2018, outros 7,5% em outubro de 2019, em outubro de 2020 mais 5% e ainda 4,5% em outubro de 2021”.

Em nota, a Casa Civil explica que “a proposta apresentada mostra a intenção do governo em atender a categoria e o profundo reconhecimento ao excelente trabalho realizado pelos profissionais da Polícia Civil. O governo reafirma que está no limite de suas possibilidades financeiras, orçamentárias e de responsabilidade fiscal”.
Quanto aos pedidos de exoneração, a Casa Civil esclarece “que o processo para publicação estava em andamento. No entanto, devido à judicialização do ato por parte dos sindicatos da categoria, o governo de Brasília aguarda a decisão da Justiça sobre o caso, visto que se trata de uma demissão em massa que poderá inviabilizar o funcionamento da atividade policial no DF, prejudicando assim a prestação de serviços aos cidadãos”.
 

 

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