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A partir desta segunda-feira (10/10), os 153 mil servidores do Distrito Federal viverão, novamente, a expectativa de saber se o Governo do DF vai honrar com o compromisso de pagar a última parcela do reajuste salarial conquistado por 32 categorias em 2012. Na sexta-feira (14/10), o Buriti fecha a folha e colocará, ou não, a previsão do valor devido no pagamento de novembro, como foi prometido. A Casa Civil alega dificuldades financeiras, apesar do aumento na arrecadação. Do outro lado, os sindicatos prometem pressionar e reagir até mesmo com greve.

O GDF sinaliza que não vai pagar o reajuste e, em função disso, até editou um decreto prevendo punições pesadas para os servidores que fizerem greve. Neste domingo (9/10), o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) reuniu sua equipe de governança do Executivo, formada por representantes das secretarias de Fazenda, Planejamento, Procuradoria-Geral do DF e consultoria jurídica, para avaliar a situação financeira e, claro, um dos assuntos tratados foi a correção dos servidores.

Rollemberg terá de buscar alternativas que vão além do aumento da base de cálculo do IPTU, pois sabe que encontrará dificuldades para aprovação do projeto pela Câmara Legislativa. “Analisamos as perspectivas para o resto do ano. A situação merece atenção”, disse o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, ao fim do encontro com e equipe de governança.

O Executivo alega que o impacto mensal com o pagamento do reajuste chegaria a R$ 116 milhões. “Houve a promessa no ano passado de que faríamos o pagamento e estamos buscando atender. Porém, não podemos fazer isso à custa da falência financeira do DF, pois, concedendo o aumento, corremos o risco de não conseguirmos pagar os próprios servidores no mês seguinte”, ressalta.

O pagamento do reajuste aos servidores deveria ter sido feito em setembro de 2015, mas, depois de um ano, o GDF ainda não honrou o compromisso. Em outubro do ano passado, o governador Rodrigo Rollemberg anunciou que a parcela seria depositada para os servidores no segundo semestre de 2016. O que ainda não aconteceu.

O Buriti se ampara na falta de dinheiro como justificativa para não conceder o reajuste, apesar de ter conseguido aumento nominal (sem descontar a inflação) de 6,9% na arrecadação no primeiro semestre deste ano.

Enquanto isso, após a paralisação de 24 horas na sexta-feira (7), as categorias garantem que vão endurecer ainda mais o discurso e as ações. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas do DF (Sindireta), Ibrahim Yusef, afirma que o funcionalismo cansou de promessas não cumpridas.

“Já deu tempo para o governador definir o que vai ser feito, mas, até agora, não tivemos respostas. Além disso, parece que ele (o governador) não demonstra interesse em resolver, mas sim em afrontar e a intimidar. Se ele não honrar o compromisso, haverá uma deliberação de greve geral”, afirma o sindicalista, que representa cerca de 40 mil servidores do DF.

A ameaça de paralisação também é feita pelos 32 mil servidores da Educação, que atendem cerca de 500 mil alunos da rede pública. A categoria garante que não tem mais “disposição para continuar no prejuízo”. A presidente do Sindicato dos Professores (Sinpro), Rosilene Corrêa, questiona a falta de negociação do governo.

Esperamos que ele (Rollemberg) entenda que precisa governar e nós precisamos trabalhar com nossos direitos garantidos. A dificuldade financeira que serve como justificativa tem que valer para dentro das nossas casas também. A situação é desfavorável para todo mundo, mas não podemos continuar no prejuízo"
Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro

Em guerra com o governador desde a denúncia de supostos desvios em contratos do GDF, a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde), Marli Rodrigues, é ainda mais dura com as críticas ao socialista. “É um caloteiro. Enganou a todos. Ganhou um ano para resolver a situação e não conseguiu, o que dá a ele um atestado de incompetência. Governador, não tenha dúvida que vai ter guerra, vai ter briga”. O sindicato representa 23 mil servidores.

 

 

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