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Os brasilienses que precisaram se deslocar na manhã desta sexta-feira (28/4) recorreram ao transporte pirata. Sem ônibus e metrô, já que os funcionários aderiram à greve geral em protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência, mais de 1,2 milhão de passageiros ficaram a pé. Teve usuário que desembolsou até R$ 10 para conseguir chegar ao destino, o dobro da passagem cobrada pelo sistema regular.

O auxiliar administrativo João Lemos de Assis, 32 anos, pegou um ônibus pirata para ir ao trabalho. “O patrão avisou que cortaria o dia de quem não aparecesse. Então, vim de pirata mesmo. O problema foi pagar R$ 10, bem acima do valor da passagem normal”, disse ele.

A diarista Joana Alves, 41 anos, também só conseguiu chegar ao emprego em uma van irregular. “Acho que a greve é justa, mas tenho que garantir o pão e o leite. Não posso abrir mão de uma diária”, afirmou.

O Metrópoles percorreu vários pontos do Distrito Federal. Em cidades como Taguatinga, Gama, Santa Maria e Ceilândia, o movimento nas paradas de ônibus e nas estações do metrô foi intenso. Mas os passageiros não tiveram acesso ao transporte coletivo regular.

No Plano Piloto, os pontos estavam vazios. A reportagem não viu qualquer tipo de fiscalização para coibir a invasão dos piratas. Um deles, inclusive, ofendeu a equipe com um gesto obsceno (foto de destaque).

Na Rodoviária do Plano Piloto, que costuma circular cerca de 800 mil pessoas por dia, poucas pessoas chegavam.

A Justiça do Trabalho considerou a adesão ao movimento legal. Segundo o desembargador Pedro Luís Vicentin Foltran, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), “a paralisação faz parte de um movimento peculiar, que é uma greve geral, a qual não tem foco exclusivo nas demandas de apenas uma determinada categoria profissional”. Para ele, essa convocação é legítima em um Estado democrático de direito.

 

 

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