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A frieza de um estudante de psicologia de 23 anos, preso por extorsão, estupro virtual, armazenamento de conteúdo pornográfico de menores e lavagem de dinheiro, impressionou os investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal. Ao ser detido, na casa onde mora com a família, em Parnamirim (RN), o homem debochou dos policiais: “Vocês demoraram, hein?”, disse ao confessar que praticava os crimes desde 2012.

A investigação que resultou na ação inédita da Polícia Civil foi coordenada pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). O caso começou a ser investigado em junho deste ano, quando os policiais notaram coincidências entre três ocorrências. Posteriormente, mais duas denúncias foram somadas ao inquérito.

O homem, que não pode ter o nome nem o rosto divulgados devido ao processo se encontrar em segredo de Justiça, se passava por uma mulher nas redes sociais para conquistar a amizade de adolescentes e adultos. Os perfis, geralmente, tinham o nome de Gabriela ou Gabi. Quando estabelecia um elo de confiança, ele dizia que queria se “divertir” e pedia para trocar imagens e fotos íntimas. De posse do material, ele se revelava e passava a extorquir e a exigir determinadas condutas sexuais das vítimas sob a ameaça de divulgar as imagens.

Confira algumas das mensagens trocadas pelo criminoso:

 

Em alguns casos, ele exigia dinheiro, em valores que superavam R$ 1 mil, dependendo do material. Segundo a polícia, o homem confessou que começou a usar um perfil fake em 2012 e que, na época, fazia por diversão, para seu “próprio deleite”. Porém, em 2017, disse que começou a ver a atividade como um “negócio”.

As vítimas ficavam abaladas e chegavam a implorar para o criminoso parar com as chantagens. A polícia teve acesso a um dos áudios enviados por uma mulher. Ouça:

Na casa do criminoso, os policiais recolheram mais de 10 mil arquivos contendo imagens pornográficas. “Ele nos disse que apagou os arquivos em maio. Ele fazia isso constantemente para liberar espaço no computador. Ou seja, esse número de 10 mil é apenas de maio até a última semana”, destacou a delegada Sandra Melo.

 

“Temos que ter uma atenção muito grande para saber quem está do outro lado da tela. Isso serve para que ocorra um amadurecimento na nossa sociedade porque, infelizmente, temos algumas pessoas que são voltadas para o crime”, alertou a delegada.

De acordo com ela, ele se imaginava em uma situação de caça e caçador. “O que é muito comum nesses casos de exploração sexual. A família dele ficou consternada e muito surpresa. Os familiares relatam que ele chegava a ficar dois dias trancado no quarto”, completou.

 

A policial ressaltou, ainda, que a investigação foi complexa. Os domínios das páginas usadas pelo estelionatário estavam hospedados em outros países. “Ele tinha bastante conhecimento na área. O dinheiro que ele conseguia das vítimas, por exemplo, era convertido em créditos digitais em jogos de computador. Com essas moedas digitais, ele comprava produtos e depois os revendia. Prática que se enquadra em lavagem de dinheiro”, disse.

 

O homem foi trazido para o DF e encontra-se recolhido na carceragem. Segundo a delegacia, a investigação será aprofundada. “É necessário verificar a extensão da atividade criminosa gerida pelo autor, haja vista o farto material apreendido que indica a existência de inúmeras outras vítimas, inclusive de outras unidades da Federação”, informou a delegada Sandra Melo.

A ação policial foi batizada de Operação Apáte – na mitologia grega, um espírito que personificava o engano, o dolo e a fraude.

Estupro virtual
Uma das cinco vítimas identificadas no Distrito Federal é menor de 18 anos e sofreu estupro virtual. Este é o primeiro caso registrado na capital federal e o segundo no país.

No mês passado, um homem foi preso em Teresina (PI), acusado de tirar fotos de uma ex-namorada, sem ela notar, e a chantagear para ter mais imagens dela em situações íntimas. Ele exigiu que a vítima se masturbasse, gravasse e mandasse para ele as imagens.

 

 

 

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