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Dois jovens brasilienses e um motorista do aplicativo Uber foram agredidos nas redondezas do Estádio Mané Garrincha após o show da cantora Marília Mendonça, na madrugada desta quarta-feira (7/9). As vítimas alegam que saíram do local após o fim da apresentação e entraram no Uber que haviam chamado. Segundo os jovens, neste momento, cinco homens os abordaram violentamente e obrigaram os três a sair do carro. Depois, começou uma sessão de chutes e socos, principalmente contra o motorista do Uber, que precisou ser levado ao hospital.

Segundo um dos jovens que apanhou, Luis José*, 23 anos, o momento foi de terror. “Fiquei sem reação na hora e tive um ataque de pânico, não conseguia entender direito o que estava acontecendo”, conta. Ainda de acordo com a vítima, os agressores vestiam os uniformes utilizados pelos seguranças da festa. “Primeiro eles chegaram afirmando que eram policiais, só depois é que pudemos ver que eram da segurança”, explica.

Também agredido, Marcos Silva*, 28 anos, conta que ameaçou filmar a situação de violência e, neste momento, teve o celular tomado de sua mão pelos criminosos. A partir de então, segundo Marcos, os suspeitos passaram a bater somente no motorista do Uber e o jovem aproveitou para procurar uma equipe da Polícia Militar.

ReproduçãoO motorista, Lucas Alves*, 28 anos, conta a mesma versão da história. “Eles chegaram e nos tiraram do carro. Depois, me deram um chute na cabeça e eu fiquei desacordado por cerca de 20 minutos. Foi uma agressão sem base nenhuma”, diz. Lucas foi levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital de Base do DF, com escoriações no rosto e no braço e com o lábio estourado. O carro dele também foi danificado durante o ataque.

Em entrevista ao Metrópoles, Marcos reclamou da atuação da polícia durante a ocorrência. “O policial foi comigo até o chefe de segurança da festa e, apesar de eu o reconhecer como um dos agressores, o militar não fez nada. O homem inclusive me ameaçou enquanto o policial só assistia. A PM viu um crime acontecer e não fez nada”, desabafou o jovem.

Devido à falta de motivo aparente para a violência, Marcos e Luis, que são homossexuais, desconfiam que o crime possa ter motivação homofóbica. “Não faz sentido nenhum. Depois os seguranças disseram que nos confundiram com um grupo que estava arranjando briga dentro da festa”, conta Luis. “Mas, mesmo que esse fosse o caso, a forma como eles agiram está longe de ser a correta”, complementa Marcos.

Os rapazes registraram ocorrência de lesão corporal na 5ª Delegacia de Polícia (região central de Brasília), que investiga o caso.

O Metrópoles entrou em contato com a assessoria do show, que afirmou não ter conhecimento da ocorrência.

*Os nomes utilizados são fictícios porque as vítimas pediram para não serem identificadas.

 

 

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