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O Metrópoles teve acesso, com exclusividade, às imagens que mostram a fuga do policial militar da reserva José Arimatéia Costa, 58 anos, logo após ele disparar dois tiros à queima-roupa contra o vizinho dele, Adilson Santana, 36, e matá-lo na noite de quinta-feira (7/9).

O registro foi feito pelas câmeras da garagem do condomínio Portal do Sol, em Samambaia, local em que os dois moravam, cerca de 13 minutos depois do início da confusão. As imagens foram entregues à 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), que investiga o crime. A Polícia Civil aguarda que a Justiça decrete a prisão preventiva do PM.

Uma solicitação foi feita na madrugada desta sexta (8), mas acabou negada pelo plantão judiciário, que alegou não haver urgência na demanda e a enviou para o Tribunal do Júri de Samambaia. Segundo a reportagem apurou, o pedido vai via malote e não tem hora para chegar.

 

A briga
A confusão começou por volta das 18h, quando José Arimatéia enviou uma foto de uma sujeira em sua janela e acusou o vizinho de cima de ter cuspido no local, no momento em que escovava os dentes.

“Ô sem noção, que mora no 1803-A quando escovar seus dentes, vê se não cospe a meleca na casa dos outros. Eu moro aqui no 1703-A e vir essa sujeira que cospiram lá de cima (sic)”, enviou o PM no grupo dos moradores. O texto era acompanhado de uma foto da janela.

Exaltado, Adilson enviou mensagens de texto e áudios negando as acusações. “Meu amigo, tu tá ficando maluco, falando merda. Primeiro, olhe essa merda para depois falar. Me respeite, que educação eu tenho. Não vou escovar porra de dente em varanda. Olha sua porra direito, não fale merda que você não sabe.”

Revoltado, Adilson seguiu se defendendo: “Meu irmão, você tá a afim de resolver sua porra, você venha pra cá e fale, tá bom? Não venha pra cá botar porra de grupo. Você não sabe o que tá falando, não. Cheira essa desgraça aí e veja se é uma pasta de dente, rapaz! Suba aqui pra gente conversar.”

 

Minutos depois, José Arimatéia subiu até o apartamento de Adilson. Eles brigaram e o PM acabou levando um soco no rosto. Devido ao impacto, caiu no chão.

Após se levantar, Arimatéia teria sacado a arma e efetuado dois disparos. Um deles atingiu o peito da vítima, que foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu. A mulher de Adilson viu a briga e quase foi atingida. Ela e alguns moradores do prédio prestaram depoimento ainda na madrugada desta sexta.

Segundo um funcionário do condomínio, que pediu para não ser identificado, os dois apartamentos estão vazios. Familiares da vítima foram ao local nesta madrugada e levaram a mulher e a filha de Adilson.

A mulher do PM, Elza Abadia, prestou depoimento na 26ª DP na tarde desta sexta. Ela disse ao delegado Fabio Rodrigo Michelan, adjunto da unidade policial, que não tem contato com o marido desde a noite do crime. A mulher foi informada, porém, que o PM está atrás de um advogado para se entregar.

De acordo com o delegado, ela ressaltou também que o marido não estava bêbado e nem tinha usado drogas. “Mas que estava com problemas graves de saúde e, por isso, andava muito estressado”, ressaltou Fabio Rodrigo Michelan.

A mulher do acusado disse ainda que não houve luta corporal entre o marido e a vítima. Que quando Arimatéia subiu e bateu na porta do apartamento de Adilson levou um soco na cara. “E quando ele caiu, teria visto a arma e provocado o PM dizendo: ‘Atira se você for homem’. Então, ele (Arimatéia) atirou”, contou o delegado.

 

 

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