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Falta de equipamentos básicos, enormes filas de espera para cirurgia e condições insalubres de trabalho foram apenas algumas das denúncias feitas pelo Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF) sobre o Hospital Regional do Paranoá. Um pedido de interdição ética, quando solicita-se que o médico pare de atuar na unidade, foi feito ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e uma queixa registrada no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A entidade pede que local seja interditado.

O presidente do Sindicato dos Médicos (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho, foi ao hospital e constatou a veracidade das reclamações feitas por médicos e pacientes. Segundo a entidade, ao menos 35 pacientes internados aguardam por cirurgias. Não há previsão de quando os procedimentos serão feitos. O sindicato alerta que a situação aumenta o risco de infecção e pode trazer graves sequelas aos pacientes.

O sistema de ar-condicionado também tem sido alvo de reclamações. Ele está quebrado desde o início do mês. O calor pode chegar a 40°C nos dias mais quentes, segundo relatos. Houve caso de médico passar mal e ter que ser substituído durante a realização de uma cirurgia.

Segundo relatos, o hospital vive o pior cenário dos últimos oito anos. Já na porta de entrada, por exemplo, os pacientes recebem a informação, por meio de um cartaz escrito à mão: “Raio-x quebrado”. E, dentro da unidade, são informados das outras limitações, como a falta de medicamentos.

“Já estou aqui há 42 dias. Não aguento mais esperar”, relatou Max Paulo Leal, de 38 anos, que está com o braço esquerdo sem movimentação. Assim como ele, a dona de casa Luciana da Silva Costa, de 39 anos, reclama da falta de respostas. “Hoje, completo 24 dias aqui. E eu tenho filhos para criar. Já estou entrando em depressão. Precisamos de uma solução”, disse.

Apenas na unidade de trauma e ortopedia, de acordo com o sindicato, faltam mais de 30 materiais básicos, entre máscaras, mesas cirúrgicas e fios de sutura. Em 22 de setembro, o setor de radiologia e imagenologia do HRPa chegou a enviar para a Secretaria de Saúde o seguinte aviso: “A partir de hoje encerramos o atendimento por tempo indeterminado pela carência de filmes radiológicos e falta de reposição dos materiais junto a central.”

Em 5 de setembro, um memorando enviado à Secretaria de Saúde apontou falhas em 12 aparelhos: mamógrafos, tomógrafos, raios-x, ecógrafos, escopia e arcos cirúrgicos. A maioria deles está sem contrato de manutenção.

Falta até gesso para imobilização de fraturas e não há atendimento de emergência em clínica médica. “É um absurdo o que está acontecendo no HRPa. Pacientes correm risco de infecção, de sequelas e até de morte. Os médicos ficam em uma situação se insegurança profissional”, disse Gutemberg.

O outro lado
A direção do Hospital Regional do Paranoá informou que já estão sendo adotadas providências para atendimento aos pacientes que aguardam cirurgias. Desde de segunda (26), cinco pacientes foram encaminhados para o Hospital Regional de Samambaia e outros cinco foram para o Hospital Regional do Gama na manhã desta terça (27). Ainda de acordo com a direção, uma sala cirúrgica, que estava desativada, foi montada no Hospital de Base, com materiais, técnicos, anestesistas e médicos do Paranoá. Três cirurgias foram realizadas ontem e uma hoje pela manhã.

A Secretaria de Saúde alegou que adquiriu 11 compressores de ar-condicionado, para que o sistema central do HRPa volte a funcionar. Os equipamentos devem ser entregues ainda esta semana e serão instalados, o que permitirá a retomada os procedimentos nos centros cirúrgico e obstétrico.

A pasta confirmou que o tomógrafo está quebrado, mas reforçou que o reparo será providenciado. Com o equipamento parado pacientes menos graves são inseridos no Sistema de Regulação da secretaria, para realização do exame em outros hospitais. Pacientes graves são encaminhados para tomografia no Hospital Universitário ou em outras unidades da rede pública.

Já o Raio X está parado por falta de filme para revelação. O material, de acordo com o governo, já foi comprado e deve chegar esta semana. Os pacientes que precisam do exame são encaminhados para a UPA de São Sebastião. O gesso estava em falta, mas deve ser encaminhado ao hospital ainda hoje, pela Farmácia Central.

 

 

 

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