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Mais uma vez, quem trabalha nas unidades de saúde da rede pública do Distrito Federal deve ficar sem refeições. A empresa Sanoli, que é responsável pela alimentação tanto de servidores quanto de pacientes, afirmou nesta sexta-feira (18/11) que vai interromper os serviços de alimentação nos refeitórios de hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) a partir de segunda (21), por falta de pagamento do Governo do DF.

No documento, a empresa afirma que vai manter as refeições de pacientes e acompanhantes, “enquanto for possível”. A Sanoli diz ainda que tem “insistentemente percorrido todos os caminhos administrativos e burocráticos na busca de uma solução para que o pagamento fosse regularizado”. Diariamente, a empresa fornece cerca de 800 mil refeições a pacientes e servidores.

Reprodução

Segundo a assessoria de imprensa da Sanoli, a dívida atual do GDF com a empresa é de cerca de R$ 30 milhões. Um terço desse total é referente a um débito de 2014. O resto diz respeito às refeições oferecidas em outubro e ao reajuste que vem sendo pago a funcionários desde janeiro.

A Sanoli afirma ainda que a interrupção no fornecimento de alimentação “não é um protesto”, mas uma medida que tem o objetivo de garantir as refeições de pacientes, já que os estoques da empresa estão acabando. Atualmente, o contrato do GDF com a companhia está vencido, e o serviço é prestado por meio de verba indenizatória, ou seja, com a apresentação de notas fiscais.

A Secretaria de Saúde do DF, no entanto, nega a existência de um débito com a empresa. A pasta afirma que recebeu a fatura para pagamento do serviço de alimentação da Sanoli referente ao mês de outubro e que os valores estão sendo analisados pelo setor de pagamento, procedimento realizado a cada mês.

Ainda de acordo com a secretaria, a fatura se refere apenas a outubro de 2016, com valor de R$ 11,3 milhões. A pasta diz que o débito está dentro do prazo para pagamento e não existem outras dívidas em atraso com a empresa neste ano. Por fim, ressalta que a suspensão só atingirá servidores, que recebem auxílio-alimentação.

Outras interrupções
Esta não é a primeira vez que a Sanoli interrompe o fornecimento de refeições na rede de saúde pública alegando falta de pagamento. Situações similares ocorreram em 2014 e 2015 e em março deste ano, quando a empresa alegou não ter recebido os vencimentos relativos a janeiro e a fevereiro, que somavam R$ 13,5 milhões. À época, a Secretaria de Saúde negou os atrasos.

A Sanoli domina o mercado no DF há mais de 15 anos. Segue prestando serviço para a rede pública às custas de sucessivos contratos emergenciais desde 2008, renovados a cada seis meses. Atualmente, é responsável pela alimentação de 16 hospitais, seis unidades de pronto atendimento (UPAs) e 20 Centro de Atenção Psicossocial (CAPs).

Na última licitação realizada para o fornecimento de alimentação na rede pública de saúde, a Sanoli não venceu nenhum dos lotes os quais disputou. No entanto, ainda existe a chance de que a empresa fique com três dos oito lotes abocanhados pela Nutrindus, já que o Tribunal de Contas do DF recomendou o afastamento da vencedora por falsificação de documentos.

 

 

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