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O médico José Carlos Daher, dono do Hospital Daher, foi preso na tarde desta quinta-feira (6/10) por porte ilegal de arma. Agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) encontraram uma pistola automática Colt, modelo Government, calibre .45, de uso restrito, ao cumprir mandado de busca e apreensão na residência dele.

Além dos agentes da Deco, integrantes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ficaram cerca de uma hora na residência do médico, na QL 8 do Lago Sul.

José Carlos Daher foi autuado por porte ilegal de arma, sem direito a fiança, com pena prevista de três a seis anos de reclusão. Além da pistola, a Polícia Civil retirou malotes com documentos e equipamentos eletrônicos da residência do médico. Os filhos dele estavam no imóvel no momento da ação. Daher foi à delegacia no próprio carro, sob escolta policial.

PCDF/Divulgação

Pistola apreendida na casa de José Carlos Daher

 

Daher, que é um dos alvos da segunda fase da Operação Mr. Hyde, estava em casa no momento em que os agentes chegaram, por volta das 16h. Pela manhã, após cinco suspeitos serem conduzidos coercitivamente para prestar depoimento, ele foi à Deco, mas se manteve calado.

O advogado do Hospital Daher, Ivo Teixeira Gico Júnior, afirmou que “a família está colaborando 100% com as investigações, mas ainda não há o que comentar porque eles não sabem do que se trata a operação”. Gico ressaltou que, “assim que souber, prestará todos os esclarecimentos”.

Hospital Daher/Divulgação

José Carlos Daher é dono do hospital que leva o sobrenome dele no Lago Sul

 

Destruição de provas
A denúncia de destruição de provas e a existência de uma sala de cirurgias clandestinas motivaram a deflagração da segunda fase da Operação Mr. Hyde nesta quinta-feira (6/10), no Hospital Daher, no Lago Sul. As descobertas levaram o MPDFT a pedir a prisão dos diretores da unidade, que foi negada pela Justiça. No entanto, foram expedidos cinco mandados de condução coercitiva, para que eles fossem levados para depor pela polícia.

Arquivo pessoal

 

Segundo o promotor Maurício Miranda,  a nova fase da operação teve início com base em uma denúncia recebida pelo MPDFT. Os investigadores constataram que a relação comercial entre o Daher e a TM Medical estava contaminada pelo esquema de corrupção da Máfia das Próteses.

O Daher entrou na mira dos investigadores a partir de depoimentos de vários pacientes vítimas do esquema, que informaram ter passado por procedimentos cirúrgicos na unidade hospitalar. As investigações indicam que, nesse hospital, o proprietário atuava no direcionamento dos pagamentos que envolviam órteses e próteses (OPMEs).

“As primeiras escutas telefônicas já levantavam suspeitas contra o Hospital Daher. Um dos médicos investigados na primeira fase havia dito que gostava de operar nesses dois hospitais porque recebia dobrado (Daher e Home). Os médicos envolvidos na Máfia das Próteses, além dos honorários, recebiam dos hospitais de 3% a 7% e mais quase 30% da distribuidora TM Medical”, explicou o promotor de Justiça Maurício Miranda.

 

 

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