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Na nova fase da Operação Mr. Hyde, deflagrada nesta quarta-feira (23/11), equipes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) e promotores da 4ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Usuários de Saúde (Prosus) investigam a participação do plano de saúde da Polícia Militar na Máfia das Próteses, esquema criminoso de lavagem de dinheiro, superfaturamento e uso de produtos desnecessários ou de baixa qualidade que lesou mais de 200 pacientes.

São alvos da investigação o coronel Marcelo Gonzaga Peres, titular da Diretoria de Assistência Médica do Departamento de Saúde e Assistência ao Pessoal do Subcomando Geral da PMDF,  e o fiscal de Auditoria de Perícia Médica, Marco Antônio Alencar de Almeida.

De acordo com o MPDFT, essa ponta da investigação surgiu após o depoimento de uma paciente, dependente do plano de saúde da corporação, que realizou uma cirurgia na coluna em 2011.

O procedimento, feito por um dos médicos denunciados pela Operação Mister Hyde, Leandro Pretto Flores, não corrigiu o problema e causou graves sequelas, conforme contou. Outra intervenção foi feita, e novamente as dores não cessaram.

Para o Ministério Público, a investigação revelou “forte ligação e intimidade” entre o médico Leandro Flores e integrantes do Plano de Saúde da PM. Segundo a força-tarefa, Marco Alencar teria liberado, “sem adotar cautela e cuidado”, cirurgia extremamente dispendiosa, no valor de mais de R$ 50 mil, para o plano de saúde da PMDF.

Como o plano de saúde da PM recebe recursos públicos, do Fundo de Saúde, via emendas de parlamentares, a ação pode configurar crime de corrupção por parte dos oficiais envolvidos. A Assessoria da PM informou ao Metrópoles que dará todo o apoio necessário às investigações, mas não quis dar detalhes do caso.

Além de Leandro Flores, a polícia investiga a ligação dos oficiais com outro médico denunciado pela operação Mr. Hyde: Juliano Almeida, que também atendia no Hospital Home. Em poder dele foram apreendidas anotações em que há referência à Polícia Militar.

Reprodução

 

Quadrilha
O esquema da Máfia das Próteses movimentou pelo menos R$ 40 milhões nos últimos cinco anos, em cirurgias, equipamentos e propinas. Segundo a Polícia Civil, o grupo tentou matar uma paciente que ameaçava denunciar a quadrilha, deixando um arame de 50cm na jugular dela.

Além disso, há casos de cirurgias sabotadas para que o paciente fique sendo operado e, assim, gere lucro para o esquema, utilização de produtos vencidos e troca de próteses mais caras por outras baratas.

As apurações estão sendo aprofundadas para verificar se os planos de saúde também foram prejudicados ou se fazem parte do esquema. Até esta quarta, os hospitais alvos da operação eram apenas o Daher, no Lago Sul, e o Home, na 613 Sul. Segundo o MP, a TM Medical, fornecedora de próteses, órteses e produtos especiais, é o elo do esquema. O Home e o Daher negam envolvimento na organização criminosa.

 

 

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