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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) corre para denunciar à Justiça os envolvidos na Máfia das Próteses até o fim desta semana. O promotor à frente do caso, Maurício Miranda, afirma que há indícios e provas suficientes para que os investigados na Operação Mister Hyde — entre eles, médicos e empresários — respondam pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação, adulteração ou alteração de produtos medicinais.

Segundo o titular da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Servidores de Saúde (Pró-Vida), Maurício Miranda, “o que tem nos autos é suficiente para a denúncia e a condenação dos investigados”. Ele pretende concluir o processo para encaminhar a denúncia à Justiça até a sexta-feira (9/9). “Pode ser parcial e, depois, com o andar das investigações, complementarmos a denúncia”, explica.

O volume de informações acumulado pelo Ministério Público e pela Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco) é robusto, e o promotor ressalta que a rapidez na denúncia, já que a operação foi deflagrada há menos de uma semana, é para evitar que os médicos envolvidos nas acusações continuem operando e atuando de forma criminosa, como apontam as investigações.

Conselho Regional de Medicina
Miranda também vai se encontrar com representantes do Conselho Regional de Medicina (CRM) para passar o que foi apurado até agora e cobrar fiscalização maior com o trabalho realizado pelos profissionais. “O que esses médicos (investigados) faziam viola o código da categoria. E eles não cometeram as irregularidades devido à falta de normas, mas de fiscalização”, completou o promotor.

Em nota, o CRM afirmou que abriu sindicância para “apurar a denúncia do ponto de vista ético e profissional, cujos indícios, se confirmados, podem dar origem a processo contra os médicos envolvidos, que ficam passíveis a penalidades previstas em lei específica”. Uma dessas penalidades é a cassação do registro profissional.

O esquema
Segundo a investigação dos promotores e dos policiais civis, o grupo usava procedimentos cirúrgicos para ganhar cada vez mais dinheiro. Entre as 13 pessoas presas na Mister Hyde, estão médicos e representantes de empresas fornecedoras de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs). Desse grupo, cinco suspeitos foram soltos na sexta (2).

Pelo menos 60 pacientes, de acordo com a polícia, foram lesados em 2016 somente por uma empresa: a TM Medical. O esquema teria movimentado milhões de reais em cirurgias, equipamentos e propinas. Há casos de pessoas que foram submetidas a procedimentos desnecessários, como sucessivas operações, com o objetivo de gerar mais lucro para os suspeitos. Em outros episódios, conforme revelado pelas investigações, eram utilizados produtos vencidos e feita a troca de próteses mais caras por outras baratas.

 

 

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