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A denúncia de destruição de provas e a existência de uma sala de cirurgia clandestina motivaram a deflagração da segunda fase da Operação Mr. Hyde nesta quinta-feira (6/10), no Hospital Daher, no Lago Sul. As descobertas levaram o Ministério Público do DF e Territórios a pedir a prisão dos diretores da unidade, que foi negada pela Justiça. No entanto, foram expedidos cinco mandados de condução coercitiva, para que eles fossem levados para depor pela polícia.

Foram conduzidos a chefe do departamento financeiro do Hospital Daher, Wirliane Pires da Silva; o médico responsável técnico, José Wilson do Bonfim Lopes; a funcionária do departamento financeiro Patrícia Bezerra Mendes; o diretor comercial, Marco Aurélio Silva Costa; e a superintendente do hospital, Maria de Lourdes da Silva Pinto. Ainda não foram localizados o dono do Daher, médico José Carlos Daher, e ex-funcionária da unidade Ana Maria Monteiro Machado.

Segundo o promotor Maurício Miranda,  a nova fase da operação teve início com base em uma denúncia recebida pelo MP que apontava para a destruição de provas. Os investigadores constataram que a relação comercial entre o Daher e a TM Medical, que fornecia as próteses, órteses e outros equipamentos, estava contaminada pelo esquema de corrupção.

Em um e-mail de 2009, a qual os promotores tiveram acesso, o cirurgião plástico José Carlos Daher confirma as relações com Johnny Welsey, apontado como sócio da TM Medical e preso na primeira fase da operação. “Ele (Johnny Wesley) quer operar 50% de seus casos no nosso hospital, o que corresponde a três pacientes por mês”, escreveu.

O grupo é acusado de fraudar pacientes e planos de saúde, que passavam por cirurgias desnecessárias e com materiais de baixa qualidade, para que a empresa pudesse aumentar seu lucro. Apenas neste ano, eles teriam atingido 100 pessoas. Os acusados também são suspeitos de ameaçar e atentar contra a vida de testemunhas.

“As primeiras gravações já apontavam o envolvimento do Hospital Daher”, destacou Maurício Miranda. Os investigadores apreenderam computadores e prontuários para colher mais provas sobre outros médicos que podem envolvidos no esquema, além dos sete primeiros que já foram indiciados.

“Esse tipo de corrupção existe no país inteiro. É regionalizado, é vergonhoso. O que me dá raiva é que que ninguém faz nada pra evitar que isso aconteça”, desabafou o promotor da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (ProVida).

Em nota, o Hospital Daher confirmou que recebeu a visita da Polícia Civil. “Não fomos avisados ou comunicados previamente do teor da visita e estamos colaborando ativamente com as solicitações realizadas. Tão logo tenhamos informações oficiais sobre o teor das investigações, informaremos de forma ampla à imprensa”.

A Máfia das Próteses do DF foi desarticulada em 1º de setembro, na Operação Mr. Hyde, realizada em conjunto pela Polícia Civil e o Ministério Público. Treze suspeitos foram presos, entre médicos e pessoas relacionadas à empresa TM Medical, que fornecia equipamentos superfaturados e até mesmo com validade vencida para as cirurgias, que muitas vezes eram realizadas sem necessidade.

 

 

 

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