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A estudante Vitória Neres Negrini, de 17 anos, precisou ir até Alexânia (GO), cidade a 90 quilômetros de Brasília, para receber a primeira dose de uma vacina antirrábica para humanos. Tudo porque na rede pública de saúde do DF não há medicação disponível, segundo teria sido informado a ela. A jovem se aplicou, acidentalmente, a vacina destinada a um de seus cachorros, no domingo (11/9).  Como o medicamento é feito com o vírus vivo da doença (raiva), tinha que tomar o antídoto em, no máximo, 24 horas, já que corria risco.

O drama da jovem começou às 18h de domingo. Depois de aplicar o medicamento em 11 gatos e três cachorros, ela foi vacinar o quarto e último cão, quando ele se mexeu demais e ela picou o próprio dedo. “Todos os anos fazemos isso. A Secretaria de Saúde distribui a vacina para as pessoas que têm muitos animais aplicarem em casa. Fomos buscar em um isopor”, contou ao Metrópoles.

Ela mora com a família no condomínio Entrelagos, próximo ao Paranoá, e estuda veterinária na Universidade de Brasília (UnB). Logo que o incidente ocorreu, ligou para amigos que trabalham na Vigilância Sanitária para pedir orientação e foi avisada que, este ano, o GDF tinha mudado de fornecedora. A vacina, diferentemente dos anos anteriores, era feita à base de vírus atenuado da doença (e não morto), o que colocou a vida dela em risco. “Foi como se um cachorro com raiva tivesse me mordido”, explicou.

Reprodução

 

A corrida por uma vacina contra a raiva começou no Hospital Regional do Paranoá, mais próximo de casa. Porém, lá a jovem e seus familiares foram informados de que esse tipo de vacinação estava concentrada no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Ao chegar à unidade, entretanto, descobriu que não havia doses disponíveis.

É um absurdo. Veja o risco que os moradores do Distrito Federal estão correndo. Primeiro porque a secretaria não informou que a vacina mudou e veio com o vírus atenuado. Se ela permite que os donos dos animais façam a aplicação, deveria alertá-los. Segundo, porque não existem doses para serem aplicadas em caso de necessidade."
Vitória Neres

Amigos e familiares da jovem iniciaram, então, uma busca pela vacina e descobriram que em Alexânia havia três doses. Uma deles foi aplicada em Vitória na madrugada desta segunda-feira (12). Para que o tratamento tenha efeito, entretanto, são necessárias mais quatro aplicações, sendo a próxima na quarta-feira. “Não sabemos se ainda haverá doses em Alexânia”, preocupa-se. A família, agora, pensa em recorrer à Justiça para conseguir continuar o tratamento.

O outro lado
Em nota, a direção do Hran informou que há doses de vacina antirrábica disponíveis na unidade de saúde e destacou que o esquema antirrábico humano é realizado em casos de mordedura de cão ou gato,  de acordo com as normas técnicas de profilaxia da raiva humana, definidas pelo Ministério da Saúde.

Sobre o caso de Vitória, a direção esclareceu que, como ela teve um acidente com a vacina canina, a orientação é observar a ocorrência de possíveis reações. “A paciente deve  procurar a Vigilância Epidemiológica no centro de saúde mais próximo de sua residência, onde terá acompanhamento e orientações adequados”, disse.

A Subsecretaria de Vigilância à Saúde informou ainda que a vacina antirrábica humana é disponibilizada nos hospitais regionais de Taguatinga, Samambaia, Brazlândia, Asa Norte, Gama e Planaltina, além dos Centros de Imunobiológicos Especiais (CRIE) em Planaltina, Taguatinga, Asa Sul, Ceilândia e Gama.

O Governo do DF iniciou no sábado (10) a Campanha Antirrábica 2016 em área urbana. A expectativa da Secretaria de Saúde é vacinar 271 mil cães e gatos, o equivalente a 80% do público-alvo. A segunda fase da vacinação urbana ocorrerá no dia 17. Podem ser vacinados todos os cães e gatos saudáveis com idade igual ou maior do que três meses de idade, bem como as fêmeas que estiverem gestantes ou recém-paridas.

 

 

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