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A falta de fôlego de Rosa Varella ao andar grandes distâncias ainda são resquícios de um vício que ela já abandonou. A artista plástica de 58 anos fumou por quatro décadas e está há oito sem colocar um cigarro na boca.

Mesmo ainda sentindo alguns efeitos por ter ingerido tabaco por tanto tempo, ela colhe os frutos de uma vida mais saudável. “Hoje, sinto o gosto das coisas, sou aceita em qualquer ambiente e não gasto dinheiro. Deixar de fumar representou um ganho social, econômico e de saúde”, conta.

Rosa Varella fumava em média três carteiras de cigarro por dia. O enfrentamento ao cigarro só foi possível com a ajuda de profissionais. Ela procurou auxílio no Programa de Tabagismo do Distrito Federal, da Secretaria de Saúde, que, só em 2016, atendeu 3.604 pessoas em algum dos 42 centros de referência ao tabagismo distribuídos nas unidades de saúde da capital do País.

Dênio Simões/Agência Brasília

Rosa Varella diz que sente melhor o gosto da comida após parar de fumar

O cidadão que decide buscar ajuda para pôr fim ao vício é incorporado a um grupo que se encontra uma vez por semana. Um médico e um outro profissional de saúde (que pode ser um enfermeiro ou um técnico em enfermagem) são os responsáveis por conduzir as palestras e orientar no tratamento.

Atualmente, 300 servidores da saúde são capacitados no curso de combate ao tabagismo promovido pela própria pasta.

Lei de combate
Baseado nesta lei, o governo de Brasília também promove ações a fim de conscientizar as pessoas sobre os locais onde fumar é proibido.

Na segunda-feira (6), por exemplo, o Transporte Urbano do DF (DFTrans) lançou a campanha Pelo Direito de Respirar na Rodoviária do Plano Piloto, por onde passam 850 mil pessoas diariamente. O evento contou com o apoio da Secretaria de Saúde.

A ação tem caráter educativo e visa fazer com que as pessoas entendam que a rodoviária e os terminais de ônibus se enquadram na categoria dos lugares onde não é permitido fumar. Durante um ano a rodoviária vai ser alvo diário da campanha, com a distribuição de panfletos e cartazes, além de veiculação de informações no telão de acesso ao metrô.

O principal objetivo da medida é evitar que pessoas que não fumam fiquem expostas à fumaça. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo. Perde somente para o fumo ativo e o consumo excessivo de álcool.

De acordo com o Ministério da Saúde, desde 2011, caiu em 34% o número de fumantes nesses locais em todo o Brasil. No Distrito Federal, a queda foi de 46,6%.

O coordenador do Programa de Controle de Tabagismo do DF, o pneumologista Celso Rodrigues da Silva, destaca a alta produtividade do tratamento. Segundo ele, cerca de 45% das pessoas que participam do programa conseguem parar de fumar. A média nacional é de 30%.

“Esse alto índice é fruto de um trabalho sólido que desenvolvemos há quase 20 anos”, ressalta Celso Rodrigues, o mais antigo coordenador de programas antitabagismo no País.

 

 

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