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Alvo de um perfil “fake” criado no Facebook, o personal trainer Alan Lucena, 37 anos, viu sua vida virar de cabeça para baixo depois que informações falsas sobre ele se espalharam nas academias onde trabalhava. O caso ocorreu em 2014, mas o desfecho só ficou mais próximo nos últimos dias, quando a Polícia Civil identificou o autor dos ataques. Trata-se de um procurador federal, apontado nas investigações como o “dono” da página. O processo corre em segredo de Justiça.

De acordo com Alan, a difamação tomou grandes proporções ainda em 2014, quando ele treinava e assessorava um dos candidatos a Mister Brasil, competição de beleza que elege o homem mais bonito do país. “No meio do concurso, fui surpreendido com essa notícia sobre a criação do perfil no qual foram feitas várias montagens de fotos simulando algum tipo de relacionamento amoroso entre eu e a pessoa que treinava”, diz.

O personal trainer afirmou que a página “fake” provocou uma série de prejuízos para sua imagem profissional e afetou sua vida pessoal e sentimental. “Não tenho nada contra a opção sexual de ninguém, mas esse fato me fez perder alunos, pois o preconceito existe e é muito grande. Também sofri no campo amoroso. Depois que a notícia se espalhou, algumas mulheres das quais eu me aproximava perguntavam se eu, de fato, era homossexual”, disse.

Lucena contou que, há duas semanas, foi chamado na 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro), onde informaram que o autor das postagens criminosas havia sido identificado pelos investigadores. “Agora o processo terá andamento, mas como está em segredo de Justiça ainda não posso revelar o autor, para não prejudicar o progresso”, explicou.

O personal acredita que a intenção era lesar a sua imagem devido ao fato de o suposto namorado do procurador ser concorrente do assessorado dele no concurso de Mister Brasil.

Crimes virtuais

Em 22 de junho, o Metrópoles mostrou a onda de crimes virtuais sob investigação pela Polícia Civil. Levantamento obtido pela reportagem aponta que, no período de um ano, 3.632 pessoas foram alvo de crimes cibernéticos no DF. São 10 vítimas por dia, ou uma a cada duas horas, enredadas em casos de extorsões, falsificações, estelionatos e outras modalidades de golpes praticados por meio da web.

Criada há quatro meses, a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) começou a mapear a ação e o modus operandi dos criminosos virtuais que aplicam golpes na capital da República. Na maioria dos casos, as vítimas são idosos ou mulheres de alto poder aquisitivo que vivem em áreas nobres de Brasília.

De acordo com as investigações, os ataques estão cada vez mais sofisticados. Para dificultar as apurações e escapar das autoridades policiais, os criminosos passaram a hospedar sites e outras ferramentas tecnológicas em servidores americanos e europeus, o que forçou a Polícia Civil do Distrito Federal a estreitar relações com grandes corporações, como Google e Facebook.

 

 

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