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Nesta quinta-feira (15/9), começaram a circular na internet informações de que o governo federal teria decidido privatizar a Água Mineral, que integra o Parque Nacional de Brasília (PNB). As mudanças teriam início com o fechamento de uma piscina em outubro ou novembro deste ano, e o processo seria concluído em 2017. A informação foi confirmada por uma fonte que teve acesso à ata da reunião do Conselho Consultivo do PNB do início do mês. Segundo essa fonte, no encontro, a diretora do parque, Juliana Alves, anunciou que a intenção do Executivo federal é privatizar outras nove áreas semelhantes no país.

A notícia de mudanças na estrutura da Água Mineral chegou à Associação dos Amigos do Parque Nacional de Brasília, que está preocupada com a novidade. Porém, segundo a presidente da entidade, Junia Lara, a diretora do PNB se limitou a apresentar uma proposta que prevê a unificação de todos os contratos prestados no local.

Segundo Junia, a responsável pelo PNB anunciou que serviços como limpeza, manutenção, exploração comercial, entre outros, seriam controlados por uma mesma companhia. A mudança tiraria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a incumbência de cuidar dos detalhes operacionais do parque, e o órgão poderia se dedicar integralmente à preservação ambiental da unidade.

“Não nos foi passado como privatização, mas sim uma centralização de contratos”, conta Junia. “De qualquer forma, estamos preocupados, porque não sabemos se a empresa selecionada vai visar apenas lucro. Esse tipo de exploração não pode ser feita em área de interesse público. E também é importante garantir que o empreendimento vai assegurar a integridade e a preservação da área ambiental acima dos interesses financeiros”, conta a presidente da associação.

Segundo Junia, está marcada para esta sexta-feira (16) uma reunião para discutir as alterações com os frequentadores da Água Mineral, principalmente aqueles que pagam mensalidade e costumam visitar o clube diariamente. Na ocasião, devem ser explicados os termos da proposta. As informações sobre a possibilidade de privatização foram divulgadas no blog do jornalista Chico Sant’Anna.

Até a publicação desta reportagem, o Metrópoles não havia conseguido entrar em contato com o ICMBio nem com a direção do Parque Nacional para comentar o assunto.

Atualmente, a entrada para usufruir das atrações do parque, como as piscinas e as trilhas, custa R$ 12.

Piscinas naturais
O Parque Nacional de Brasília abrange as regiões administrativas de Brasília, Sobradinho e Brazlândia, além do município goiano de Padre Bernardo.

Criado pelo Decreto Federal n.º 241, em 29 de novembro de 1961, com cerca de 30 mil hectares, o PNB teve seus limites redefinidos pela Lei Federal nº 11.285, de 8 de março de 2006, e atualmente possui uma área de 42.389,01 hectares.

A principal atração do parque é a parte das duas piscinas. Elas se formaram a partir dos poços de água, que surgiram às margens do Córrego Acampamento, pela extração de areia feita antes da implantação de Brasília.

Hoje o parque protege ecossistemas típicos do cerrado do Planalto Central e abriga as bacias dos córregos formadores da represa Santa Maria, que é responsável pelo fornecimento de 25% da água potável que abastece a capital federal.

 

 

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