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Depois de ter o nome citado em ao menos duas audiências da Caixa de Pandora, o deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF) prestou depoimento como testemunha no processo, na tarde desta sexta-feira (16/9), na 7ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). Irritado, Rosso afirmou que “tomará providências judiciais” contra quem afirma que o delator do escândalo, Durval Barbosa, tem vídeos com o parlamentar.

Embora não tenha citado os nomes de quem fez essas afirmações, duas pessoas disseram ter vistos vídeos de Rosso em posse de Durval: o colega de Câmara dos Deputados Alberto Fraga (DEM-DF) e o técnico em informática Francinei Arruda Bezerra, que editava os vídeos do delator.

O pessedista foi convocado pela defesa do ex-secretário de Planejamento do DF Ricardo Penna, um dos réus na ação. Além de Penna, 18 pessoas respondem pelo crime de formação de quadrilha, entre elas, o ex-governador do DF José Roberto Arruda e o ex-vice-governador Paulo Octávio.

Apesar das declaração de Fraga e de Bezerra, até hoje não foi divulgada qualquer gravação de Durval com Rosso, que preside o PSD no DF. Ainda assim, o deputado federal não negou claramente a possibilidade de haver imagens dele feitas por Durval. Mas disse que estava esperando passar a audiência para tomar “providências jurídicas” sobre essas acusações. “Tenho sido atacado covardemente pelo baixo meretrício da política local”, afirmou.

Rosso ainda questionou a declaração feita por Fraga durante uma audiência na quinta-feira (15), relativa à Caixa de Pandora. Na ocasião, Fraga voltou a repetir que viu Rosso em gravações feitas por Durval. “Ontem (quinta-feira), o parlamentar veio aqui e mudou a versão”, afirmou, se referindo a Fraga ter dito, há meses, que teria visto Rosso recebendo dinheiro. No depoimento de quinta, porém, Fraga declarou que, nas imagens, é possível ver Rosso, mas não há entrega de dinheiro por parte de Barbosa.

Questionado pelos advogados se conhecia Francinei Arruda Bezerra, Rosso disse que “dá asco falar do rapaz”. Segundo o parlamentar, Francinei pediu emprego para ele, mas o deputado não tinha vagas para atendê-lo. “Eu não podia contratar. Ele me parecia um bom moço, mas vi que é exatamente o contrário.”

O MPDFT nega a existência de outros vídeos feitos por Durval. Segundo os promotores, todas as gravações feitas pelo delator foram entregues.

Os processos criminais da Caixa de Pandora são conduzidos pela 7ª Vara Criminal de Brasília. Segundo a denúncia do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), os políticos teriam recebido propina em troca de apoio político.

Nesta ação em que Rosso depõe como testemunha, além de Paulo Octávio e Arruda, foram denunciados pelo MPDFT o ex-chefe da Casa Civil do DF José Geraldo Maciel, o ex-secretário de Ordem Pública Roberto Giffoni, o ex-chefe de gabinete de Arruda Fábio Simão e outras 13 pessoas. O depoimento começou por volta das 16h30. Rosso respondeu a questionamentos dos advogados dos réus, dos promotores e do juiz Paulo Carmona.

Raimundo Ribeiro
Mais cedo, o deputado distrital Raimundo Ribeiro (PPS) também prestou depoimento em um dos processos da Caixa de Pandora. Na ação, 11 pessoas, entre elas Arruda, Paulo Octávio, José Geraldo Maciel e Durval Barbosa, respondem por corrupção passiva. Segundo a denúncia do MPDFT, eles teriam recebido vantagem indevida em contratos de informática.

Convocado pela defesa do ex-vice-governador do DF Paulo Octávio, Ribeiro descartou que tenha presenciado ou ficado sabendo de qualquer ato de corrupção citado no processo. Ribeiro foi secretário de Justiça no governo Arruda.

 

 

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