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O acordo de colaboração firmado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, revela que os empresários injetaram R$ 1,1 milhão em campanhas de políticos do Distrito Federal. Uma planilha entregue por eles aos procuradores da Lava Jato detalha valores pagos aos partidos nas eleições de 2014. São 12 páginas mostrando o destino do dinheiro em todo o país. No DF, a JBS investiu no PSB, que elegeu o governador Rodrigo Rollemberg, e no PT.

A legenda que recebeu a maior quantia da JBS no DF foi o PSB. Em 27 de junho de 2014, a empresa fez um depósito de R$ 500 mil à sigla local por meio de negociação com um emissário identificado por Henrique. Já em 24 de outubro, dois dias antes do segundo turno das eleições, quando a chapa do PSB disputava o cargo de governador com Jofran Frejat (PR), a JBS fez um repasse de R$ 450 mil direcionado ao próprio Rollemberg. O responsável pela negociação, conforme consta na tabela, foi “Ricardo Rollemberg”. A doação foi declarada na prestação de contas do socialista ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A referência ao nome de “Ricardo Rollemberg” como “contato” para doação ao então candidato Rodrigo Rollemberg aparece na página 12 da planilha de delação dos irmãos Batista. Em 2012, Rollemberg perdeu um irmão de nome Ricardo. Na época das eleições, o único Ricardo com quem Rodrigo manteve estreita relação foi o empresário Ricardo Leal, um dos apoiadores destacados pelo político com o objetivo de arrecadar recursos para a campanha.

Pessoas próximas ao governador do DF apostam que a referência ao Ricardo citado na planilha é Ricardo Leal. Até recentemente, Leal integrava o conselho de administração do Banco de Brasília (BRB). Deixou o cargo logo após surgirem rumores de que o operador financeiro Lúcio Funaro, preso no âmbito da Lava Jato, estaria disposto a fazer delação premiada. Entre os nomes citados por Funaro aos procuradores, estaria o de Ricardo Leal.

Reprodução

O outro partido do DF beneficiado com o dinheiro da JBS foi o PT. A legenda recebeu R$ 200 mil em 17 de outubro de 2014, 12 dias depois do primeiro turno das eleições. Nessa fase, Agnelo Queiroz, que tentou a reeleição pelo partido, já havia sido derrotado nas urnas. Agnelo não passou para o segundo turno. O dinheiro foi entregue ao Comitê Financeiro Único do DF.

Transações atípicas
Eleito pelo PSB ao Palácio do Buriti, Rodrigo Rollemberg recebeu um total de R$ 852.831,75 da JBS na campanha de 2014. A quantia foi repassada em 41 transações atípicas, com valores que variam de R$ 6,54 a R$ 450 mil. Na prestação de contas apresentada pelo socialista ao TSE, aproximadamente R$ 400 mil aparecem como doação da direção distrital do PSB. O restante é o valor que consta na tabela e foi entregue diretamente a Rollemberg.

A assessoria do governador afirma que “toda doação de campanha recebida pelo então candidato Rodrigo Rollemberg aconteceu de forma legal. As contas de campanha já foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral”.

O GDF garante ainda que, apesar de a doação original ter sido da JBS, os recursos foram repassados pelo PSB-DF para arcar com despesas da campanha do socialista. “O PSB-DF realizou diversos pagamentos da campanha do candidato, como prevê a lei. Daí apareceram na prestação de contas pagamentos de valores variáveis — pequenos e médios — de despesas como contas telefônicas e materiais gráficos”, concluiu a nota. Já o secretário de Comunicação do DF, Paulo Fona, declarou que “ainda bem que a JBS não tinha nenhum interesse comercial em Brasília.’

Presidente do PT-DF, a deputada federal Érika Kokay nega irregularidade no recebimento de doações eleitorais ao partido e diz não saber que a JBS fez repasses ao diretório local. “Todas as doações recebidas pelo PT-DF foram devidamente contabilizadas e desconheço contribuição da JBS para a campanha local, ainda mais em 24 de outubro, quando já não estávamos mais na disputa.”

Propina
Aos procuradores da Lava Jato, Joesley Batista garantiu que nenhuma doação feita pela empresa, inclusive as declaradas pelos candidatos, foi lícita. Em vídeo, o empresário afirmou que os R$ 400 milhões doados regularmente a políticos eram “contrapartida a ajustes ilícitos”. “O caixa 1 era contrapartida, propina disfarçada”, reconheceu. Segundo ele, além dos R$ 400 milhões declarados, o grupo JBS distribuiu mais R$ 100 milhões como caixa 2 no último período eleitoral.

 

 

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