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O protesto em frente ao Congresso Nacional ficou tenso por volta das 18h desta terça-feira (29/11). Após picharem o Museu Nacional da República e o Ministério da Educação, os manifestantes contrários à PEC do Teto dos Gastos viraram um veículo da Record em frente ao Congresso Nacional. Na via N1, outro carro também foi colocado de ponta-cabeça.

Na tentativa de dispersar os manifestantes, policiais militares dispararam bombas de efeito moral. Um grupo revidou, atirando paus, pedras e coquetéis molotov contra a tropa de choque da PM.

Por volta das 18h, a maioria dos manifestantes começou a seguir em direção à Rodoviária. No trajeto, depredaram banheiros químicos instalados na via S1 e atearam fogo nos boxes. Também quebraram pardais — equipamentos usados para multar motoristas que trafegam acima da velocidade permitida.

Segundo estimativas da Polícia Militar, havia cerca de 10 mil pessoas nos diferentes atos promovidos na Esplanada dos Ministérios.

 

Pichações
Mais cedo, um grupo de manifestantes pichou o Museu Nacional da República e o Ministério da Educação com mensagens contrárias ao governo do presidente Michel Temer. Segundo a Polícia Militar, um rapaz foi detido por conta das pichações e levado à delegacia. Outras três pessoas foram presas com socos ingleses nas proximidades do protesto.

 

Por volta das 17h15, um trio elétrico guiou os manifestantes em direção ao Congresso. Os ativistas marchavam sob gritos como “Ocupa tudo contra a PEC do fim do mundo” e “não vai ter PEC”. Uma barreira foi feita em volta da sede do Legislativo federal. Ainda assim, manifestantes invadiram o espelho d’água.

Uma das participantes era Mariane Siqueira, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no estado do Paraná (Sinditest-PR). Ela afirmou que a intenção do protesto era “sensibilizar” os senadores contra a PEC 55 — que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos.

“Este ato é uma continuação das manifestações que têm ocorrido em todo o país. Esperamos que os parlamentares repensem e façam um diálogo com a população. Não vamos aceitar calados essa votação arbitrária que está sendo proposta pelo governo”, disse Mariane.

Nem todos concordam com os protestos. Era o caso de Maria Lúcia Aguiar, 57 anos, que trabalha como copeira na Câmara dos Deputados. Ela saiu do expediente às 16h e, 50 minutos depois, ainda tentava chegar à Rodoviária do Plano Piloto para pegar um ônibus em direção ao Entorno. “Está causando muitos transtornos. Com certeza, vou chegar atrasada em casa”, lamentou.

 

 

Atos distintos
Segundo informe da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP), por volta das 16h30 havia três movimentos distintos, “todos acompanhados por equipes da Polícia Militar”. “No estacionamento do Estádio Mané Garrincha, encontravam-se 200 caminhoneiros. Em frente ao Ministério da Educação, eram cerca de 2 mil estudantes. Já em frente ao Palácio da Justiça, havia cerca de 50 índios”.

A SSP também destacou que “toda a área central está sendo monitorada por meio das câmeras do Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), localizado na sede da pasta”.

Desde as 13h, a via S1 está fechada para veículos, da altura da alça leste da Rodoviária até o Congresso Nacional. Apenas será permitido o trânsito de ônibus e dos carros de funcionários dos ministérios ao final do expediente. A opção aos motoristas é passar pela via S2, atrás dos ministérios.

 

 

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