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Um grupo de manifestantes pró-Dilma Rousseff protestou na manhã deste domingo (4/9), na quadra onde mora o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), em Brasília. Segundo a assessoria do senador, os manifestantes ameaçam invadir o prédio da residência de Cristovam. Eles reclamaram contra o parlamentar porque ele votou a favor do impeachment de Dilma, decidido pelo plenário do Senado no dia 31 de agosto, por 61 votos a 20.

O senador contou ao Metrópoles que, no momento do protesto, estava escrevendo e que não chegou a ver quais os grupos estavam se manifestando. “A mim não incomodou. Moro aqui há 35 anos e nenhum dos vizinhos jamais teve nada a reclamar quanto a barulho da minha parte. Agora, vão ter”, disse Cristovam Buarque.

Apesar das ameaças, não houve invasão e o protesto terminou. Segundo a assessoria do senador, os manifestantes prometeram voltar outras vezes. Cristovam acredita que o protesto na porta do seu prédio comprova que o país está dividido não em debates políticos de parte a parte, mas em uma “briga de torcidas”, onde falta o diálogo.

Estou me sentindo comprovando o que falo há muito tempo: no Brasil, a política perdeu a lógica. Virou ambiente de torcida e não de debate. Quando dois times se encontram em campo, as torcidas não debatem. Aplaudem seu time e vaiam o outro. Eu estou fora (da disputa política) do momento. Quero continuar usar a racionalidade. Como na Síria de hoje, quero que o Brasil tenha paz."
Cristovam Buarque

Ex-governador do Distrito Federal pelo partido da ex-presidente Dilma, o senador conta que votou contrário à manutenção da petista por considerar que sua continuidade seria uma “tragédia” para o país. Segundo Cristovam, parlamentares que votaram favoráveis a Dilma também queriam acompanhá-lo no voto, mas tinham medo de perder o apoio das suas bases.

Demagogia
Cristovam contou que sugeriu a Dilma que desafiasse o agora presidente efetivo Michel Temer (PMDB) a renunciarem juntos, obrigando a realização de novas eleições. Sem a renúncia conjunta, o senador acredita que será difícil eleições antes de 2018. “”Eu queria uma eleição rápida, mas isso é demagogia. Não vai acontecer”, conclui o senador, que recentemente deixou o PDT rumo ao PPS com o objetivo de disputar a Presidência da República em 2018.

O senador, que foi ministro da Educação no Governo Lula e foi demitido, desde então rompeu com a gestão petista. Na última quinta-feira (1/9), Cristovam também foi agredido verbalmente por manifestantes enquanto presidia audiência pública da Comissão de Educação do Senado sobre a proposta conhecida como “Escola Sem Partido”. A sessão contava com a presença de convidados de movimentos sociais organizados. Sob gritos de “golpista” e “traidor”, Cristovam desistiu de presidir a reunião e acabou encerrando a sessão. (Com informações da Agência Estado)

 


 

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