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Investigado pelos crimes de violação de dispositivo informático, falsidade ideológica e estelionato, o técnico eletricista Jefferson Rodrigues Filho confessa que clonou o celular do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), dá detalhes de como agiu na época em que se passou pelo chefe do Executivo local, conta que conseguiu fazer nomeações em nome de Rollemberg e afirma que uma certa quantia de dinheiro foi parar em sua conta e desapareceu em seguida, inexplicavelmente.

Em áudios e mensagens aos quais o Metrópoles teve acesso (ouça abaixo), Jefferson afirma que, em fevereiro do ano passado, descobriu o número de celular de Rodrigo Rollemberg. Com a informação em mãos, ele procurou a operadora Vivo para obter uma segunda via do chip vinculado ao número do governador. Para conseguir a liberação, chegou a apresentar uma falsa ocorrência de extravio. Sem grandes dificuldades, ele teve acesso ao chip duplicado e passou assim a visualizar e a interagir com os contatos do chefe do Executivo Local via WhatsApp. Trocou várias mensagens com integrantes do primeiro escalão do governo.

Jefferson tentou ser nomeado na Secretaria de Habitação, mas não conseguiu. Em seguida, foi bem sucedido nas tratativas com o então secretário de Ciência e Tecnologia Paulo Salles, que o encaminhou para uma entrevista de emprego com a presidente da Fundação de Apoio e Pesquisa (FAP). “Não só eu, como as pessoas que eu passei o nome por WhatsApp”, diz o técnico eletricista nos áudios obtidos pelo Metrópoles.

O estelionatário foi, então, nomeado como gerente de projetos tecnológicos da FAP, recebendo um DF-14, no valor de R$ 2.937,71. Acabou descoberto e exonerado. No Diário Oficial, a exoneração dele foi publicada “a contar de 11 de março de 2015”.

As investidas de Jefferson começaram a despertar a desconfiança de integrantes do primeiro escalão do governo. Motivado pelas suspeitas, um emissário do governador procurou a Vivo e acabou descobrindo que a operadora havia emitido uma segunda via do chip do telefone de Rollemberg.

Pego em flagrante, Jefferson chegou a ser preso e seu telefone, apreendido. No áudio ao qual o Metrópoles teve acesso, o estelionatário diz que já não tem mais nenhuma cópia ou consegue consultar as mensagens trocadas na época em que se fez passar pelo chefe do Palácio do Buriti.

Todas as mensagens que venham a ser ou ter algum tipo de comprometimento com o governador do Distrito Federal, estão nesse telefone que a polícia apreendeu"
afirma Jefferson

Mesmo depois de Rollemberg ser alvo de um golpe desse porte, Jefferson foi novamente nomeado na estrutura do GDF. Só que desta vez, na Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal, a Codhab. Jefferson conta, no entanto, que quando o descobriram, ele foi novamente exonerado.

Mas não desistiu. O farsante diz que mandou uma mensagem a Rollemberg explicando os motivos para o crime que cometera e pedindo desculpas. Em um trecho vacilante da narrativa, ele afirma que chegou a receber um retorno do número para o qual enviou o WhatsApp. Diz mais. Que seu interlocutor, supostamente o próprio governador, teria sugerido a ele que o procurasse pois “tinha alguma coisa a me propor”. Jefferson fala que não foi atrás de Rollemberg e que não houve nenhum ato ilícito em seu diálogo.

WhatsApp/Reprodução

Jefferson clonou o celular do governador e se passou por ele durante um bom tempo

 

Ao tentar se explicar sobre a suposta quantia de R$ 1,8 milhão que teria batido em sua conta, segundo fontes policiais que tiveram contato com o estelionatário, Jefferson nega que tenha recebido o valor. Revela, no entanto, uma versão ainda mais misteriosa. Diz que houve um valor transferido de R$ 50 mil, mas que a quantia foi em seguida resgatada pelo próprio banco, “talvez, por engano”.

Jefferson admitiu ainda que procurou vários políticos, entre os quais o deputado Julio César Ribeiro (PRB), o vice-governador Renato Santana (PSD) e, mais recentemente, a presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS). O técnico eletricista afirma que pediu emprego a eles, mas nega que tenha feito chantagem ou tentado extorquir o governador. Jefferson alega que cometeu esse crime em “um ato de desespero, por ser pai e estar desempregado”. Segundo afirma, ele trabalhou na campanha de Rollemberg.

Em reportagem publicada nesta sexta-feira (2/9), o Metrópoles revelou que Celina Leão procurou a Polícia Federal para contar essa história.

A distrital afirma, em nota, que “com relação ao caso, trata-se de uma investigação em curso da Polícia Federal. Coube a mim, apenas, repassar a denúncia. Não tenho nenhum material e/ou documento sobre o caso. Assim, não tenho o que acrescentar mais sobre o assunto. Aconselho, apenas, a procurar as autoridades competentes, no caso a Polícia Federal.”

Por meio de sua assessoria de imprensa, o governador Rodrigo Rollemberg afirmou que não teve nenhum diálogo com o acusado. “O caso foi imediatamente comunicado à Polícia Civil, que apurou o ilícito. Após a investigação, o Ministério Público encaminhou a denúncia à Justiça em abril de 2015, onde ainda corre a ação criminal”.

 

 

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