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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Legislativa ouviu na manhã desta quinta-feira (6/10) o ex-coordenador do Fundo de Saúde do Distrito Federal Vanderlan Ribeiro. Ele é acusado de participar do suposto esquema de propina para liberação de emenda da saúde na Câmara Legislativa. Durante o depoimento, Ribeiro reconheceu que autorizou pagamentos do Fundo, que são alvos de investigação, mas jogou a culpa nos servidores de carreira, que atestaram os processos. “Só dei o de acordo”, afirmou.

“Quando o recurso chega, a vontade de pagar logo é tão grande que queremos dar celeridade”, disse Vanderlan. O ex-coordenador foi citado em gravações feitas com o ex-subsecretário de Logística e Infraestrutura da Secretaria de Saúde Marcos Júnior como braço do ex-diretor do Fundo de Saúde Ricardo Cardoso no esquema. Ele era o responsável por analisar os processos de pagamentos feitos pelo Fundo à área de saúde.

Confrontado pelo relator da CPI, deputado Lira (PHS) com a transcrição dos áudios, Vanderlan disse desconhecer as acusações feitas por Marcos Júnior e que o ex-subsecretário de Logística e Infraestrutura da Secretaria não tinha conhecimento suficiente sobre os processos de pagamento do Fundo.

Membro da CPI, o deputado Wasny de Roure (PT) apresentou diversos erros nos processos apontados pelas investigações do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e do Tribunal de Contas do DF (TCDF). Entre eles, o desrespeito à cronologia dos pagamentos que havia sido determinada pelo próprio governo, especialmente no caso das Unidades de Terapia Intensivas (UTIs) particulares do Hospital de Santa Marta.

O petista apontou que o processo do Santa Marta não tinha sido analisado até o dia 11 de dezembro de 2015. Passou a tramitar na Secretaria de Saúde depois do dia 29 do mesmo mês, quando o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) sancionou o projeto de lei nº833/2015, que destinava recursos para fornecedores da saúde, de forma não parcelada.

O distrital lembrou que o pagamento foi feito após a aprovação da emenda de R$ 30 milhões, que deu origem à Operação Drácon, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do DF. A ação fez com que a Justiça afastasse toda a Mesa Diretora da Câmara.

O ex-coordenador negou que tenha recebido qualquer pedido de preferência de pagamento por parte dos distritais. Disse também que não tinha poder de alterar a cronologia dos pagamentos e que não foi procurado por Ricardo Cardoso para que ocorressem tais alterações. Disse ainda que não agiu em benefício de nenhuma empresa.

 


 

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