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Os grampos feitos pela deputada Liliane Roriz (PTB) e entregues ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) complicam ainda mais a vida da parlamentar, que é alvo de um processo de cassação e foi condenada em primeira instância por lavagem de dinheiro e improbidade administrativa. Em um dos áudios, Liliane admite para a presidente afastada da Câmara Legislativa Celina Leão (PPS) o envolvimento do pai, o ex-governador Joaquim Roriz, e da irmã, a ex-deputada federal Jaqueline, no recebimento de apartamentos em Águas Claras em troca de favorecimento em um empréstimo no Banco de Brasília (BRB).

Na conversa, ela tira o corpo fora da encrenca e joga a culpa do suposto envolvimento em corrupção no pai e em Jaqueline, com quem mantém uma relação pouco amistosa há muitos anos. “É, pois é, mas e aí é, é um problema também da minha família, né, Celina? Era a Jaqueline envolvida, meu pai envolvido”, disse a caçula de Joaquim Roriz.

Para o MPDFT, que denunciou a distrital, não há dúvidas de que Liliane simulou contrato de compra e venda de dois apartamentos em nome da filha Bárbara Maria. Além de afrouxar ainda mais os laços familiares do clã, o conteúdo da gravação tem potencial para influenciar o julgamento do recurso da condenação por improbidade, em tramitação na 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do DF e Territórios. Por este fato, Liliane responde também a uma ação penal perante o Conselho Especial do TJDFT.

Ao reconhecer o envolvimento do pai e da irmã na prática dos ilícitos, Liliane terá que explicar a razão pela qual dois apartamentos seriam destinados à sua filha, menor de idade, à época.

A condenação é um dos argumentos do pedido de cassação da distrital que tramita na Câmara Legislativa e pode resultar na perda do mandato. A gravação lança também dúvidas sobre uma possível ajuda de Celina Leão à família no processo. “Mas, ali, você tava livrando não era eu não, você tava livrando era meu pai, minha mãe, Jaqueline e tal”, disse Liliane. A presidente afastada do Legislativo local foi alçada à vida pública pelas mãos de Jaqueline, de quem foi assessora.

Ouça o áudio: 

 

Liliane Roriz– É, pois é, mas e aí é, é um problema também da minha família, né, Celina? Era a Jaqueline envolvida, meu pai envolvido.

Celina Leão – Não interessa, assim, mas assim…

Liliane – É eu nem se quer assinei, eu não tenho (inaudível) daquele número daqueles apartamentos.

Celina – Não, deixa eu te falar.

Liliane – E o Valério sabe disso! Mas ali você tava livrando não era eu não, você tava livrando era meu pai, minha mãe, Jaqueline e tal. Eu mesma não tenho nada a ver com isso e Valério sabe disso.

 

Apartamentos
Liliane, o pai e as irmãs foram condenados em função de um empréstimo de R$ 6,7 milhões do BRB à construtora WRJ Engenharia. A liberação do dinheiro — segundo o Ministério Público, autor da denúncia —, foi facilitada no governo Roriz em troca de 12 apartamentos no Edifício Monet, em Águas Claras. A família entrou com recurso, que começou a ser julgado.

No último dia 17, a sessão de julgamento da 5ª Turma Cível do recurso foi suspensa, com um placar desfavorável à família Roriz. Os desembargadores Álvaro Ciarlini e Hector Valverde Santana mantiveram a condenação de primeira instância, ao contrário do relator, Josaphá Francisco dos Santos, que acatou os recursos da defesa. Apesar de o placar indicar 2 a 1 contra os réus, o novo Código de Processo Civil, reformado no ano passado, impede que a decisão entre três magistrados seja cravada sem unanimidade.

É uma forma de garantir aos réus a possibilidade de inversão do resultado inicial em um novo julgamento, com os demais integrantes do colegiado. Dessa forma, a Turma marcará um novo julgamento, com a convocação de outros dois desembargadores.

Pedido de cumprimento imediato de pena
Outro problema de Liliane vem do Ministério Público Eleitoral (MPE). O órgão pediu a imediata execução da pena imposta à deputada Liliane Roriz referente a outro processo, no qual ela foi condenada pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral e por crime de corrupção eleitoral.

Liliane é acusada de omitir despesas de R$ 40,6 mil na prestação de contas das eleições de 2010. Também pesa contra ela a suspeita de ter oferecido cargos na Câmara Legislativa e no GDF a Eurípedes Viana Santana e à mulher dele em troca de votos. O plenário do TRE-DF julgou procedente a acusação de corrupção eleitoral, tendo em vista promessa de vantagem em troca de voto.

À deputada, foi imposta pena de dois anos e seis meses de reclusão, mais 12 dias-multa, no valor de R$ 31,6 mil. A pena de prisão, no entanto, foi substituída por duas restritivas, a serem fixadas no momento da execução.

Cassação de mandato
Na Câmara, onde despertou a ira dos colegas após divulgar grampos comprometedores, Liliane pode perder o mandato. Tramita na Corregedoria da Casa o processo de quebra de decoro contra a parlamentar. O pedido de cassação foi feito pela ONG Adote um Distrital, no início deste ano, exatamente pelo processo que corre contra ela na Justiça.

Alegando problemas pessoais, Liliane está de licença não remunerada da Câmara. Até a publicação desta reportagem, a petebista não foi localizada.

 

 

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Liliane Roriz
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