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A recente divulgação dos áudios envolvendo o ex-senador Luiz Estevão provocou uma profusão de reações entre os tantos personagens que surgiram em pouco mais de duas horas de conversas grampeadas por Liliane Roriz (PTB).

Alguns se recolheram e outros se apressaram em negar relacionamento com o autor dos diálogos bombásticos, mesmo quando esses relacionamentos existiram. O ex-chefe da Casa Civil Hélio Doyle disse em sua coluna no Jornal de Brasília desta quinta-feira (8/9) que, durante o período em que ocupou cargo no governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), “não se lembra de ter atendido a uma só ligação telefônica do empresário e presidente do PRTB.”

Segundo Doyle, os dois trocaram poucas mensagens por WhatsApp e ele conta que recebeu duas solicitações formais do ex-senador, uma para que o governo quitasse aluguéis atrasados de um prédio que lhe pertence e a outra para que impedisse a invasão de uma de suas propriedades.

A resposta de Doyle foi uma reação a um dos trechos do diálogo grampeado por Liliane em que Estevão afirma ter boa interlocução com o governo e falar diretamente com Rollemberg e Doyle “na hora e da maneira que quiser”.

Embora Hélio Doyle tenha resumido a convivência com o ex-senador Luiz Estevão às vezes em que os dois tiveram um contato protocolar, a história demonstra que essa relação não foi tão fria quanto Doyle fez parecer.

Luiz Estevão foi um dos financiadores da primeira, única e não exitosa campanha do jornalista quando ele se candidatou a deputado distrital há quase três décadas. Em fevereiro de 1995, Hélio, à época secretário de Cristovam Buarque, teve de ouvir na Câmara Legislativa esse enredo contado por Luiz Estevão, então deputado distrital e adversário do governo, durante discurso que o constrangeu.

Quando Hélio Doyle integrou a equipe do último governo de Joaquim Roriz, aproximou-se ainda mais de Estevão, com encontros frequentes, incluindo a presença do ex-secretário-geral da Câmara Legislativa Valério Neves.

Em dezembro de 2014 e em janeiro de 2015, Doyle esteve três vezes no prédio onde Estevão cumpriu pena no regime semiaberto, em encontros onde os dois trataram da eleição da Mesa Diretora. Estevão tinha o controle dos dois votos do PRTB decisivos para a eleição do presidente da Câmara.

Já no governo Rollemberg, o contato foi preservado em conversas via WhatsApp. Os dois, geralmente, comentavam fatos políticos que ocorriam na cidade. Nesse período, Luiz Estevão nunca ligou para Hélio Doyle ou para o governador Rollemberg.

Não foi apenas Hélio Doyle quem se incomodou em ter a relação com o ex-senador exposta publicamente. Rollemberg também apressou-se para se explicar e dizer que nunca mantivera contato, nem de ordem pessoal, nem profissional com Luiz Estevão. Esqueceu-se dos três anos em que foram colegas na Câmara Legislativa, época em que tinham uma boa e cordial convivência.

 

 

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