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A presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS), criticou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pela deflagração da terceira fase da Operação Drácon às vésperas do julgamento que decidirá se  ela pode voltar ao cargo. Na noite desta segunda-feira (17/10), Celina disse que a operação do MPDFT foi “política”. “A ação está autorizada desde o dia 11. Eles (promotores de Justiça) querem sensibilizar a imprensa e o Tribunal de Justiça. Mas a Corte não vai se pautar por isso. Temos confiança de que será um julgamento técnico”, disse a distrital ao Metrópoles. A deputada afirmou ainda que “não há preocupação por parte do nosso gabinete de qualquer tentativa de obstrução de Justiça ou de ocultação de provas”.

Celina anunciou ainda que vai recorrer caso o Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) a mantenha afastada do cargo de presidente da Câmara Legislativa, no julgamento que está previsto para esta terça (18). “Nós vamos recorrer aos tribunais superiores. Eu sempre disse que esse não era um processo jurídico, mas político. Muita gente acha que eu já deveria ter recorrido aos tribunais superiores, mas temos que dar uma chance para a nossa Justiça local.”

O discurso de Celina está afinado com o do advogado dela, Eduardo Toledo. Minutos antes de a distrital conversar com a reportagem, o defensor dava uma coletiva de imprensa na Câmara Legislativa na qual sobraram críticas para o MPDFT. Segundo Toledo, não houve nenhuma ordem de Celina para que qualquer material fosse retirado da Câmara Legislativa. Imagens divulgadas pelos investigadores nesta segunda-feira (17) mostram servidores ligados a Celina e a Bispo Renato Andrade (PR) tirando arquivos físicos da Casa às vésperas da primeira etapa da Operação Drácon, em 23 de agosto. No mesmo dia da ação, o deputado Chico Vigilante (PT) disse que um funcionário de Celina tinha sido visto com o material.

“Pirotecnia”
“Se nós nos recordarmos do primeiro dia (da operação), o deputado (Chico Vigilante) disse que tinham tirado documentos da Câmara. Nós nos colocamos à disposição da Polícia e do MPDFT, inclusive disponibilizando os computadores. O que nos surpreendeu foi, após 60 dias sem fato novo, eles fazerem uma ação que, para nós, foi pirotecnia”, criticou Eduardo Toledo.

O advogado disse ainda que em nenhuma das gravações que embasaram a Operação Drácon o nome de Celina Leão foi mencionado diretamente. Ainda segundo Toledo, os áudios divulgados pelo MPDFT foram editados, mostrando apenas recortes. No entanto, segundo o promotor Clayton Germano, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, as gravações não foram cortadas.

Outro argumento da defesa para a volta de Celina e dos demais membros da Mesa Diretora é que não seria da competência do TJDFT determinar ações como a apreensão de passaportes com o intuito de evitar que parlamentares façam movimentações financeiras no exterior.

Toledo aproveitou para defender Sandro Vieira — apontado como braço direito de Celina — das acusações de ter retirado documentos que possam comprovar um possível esquema de corrupção envolvendo a parlamentar. O advogado afirmou que o fato de Sandro ter sido visto na CLDF às 6h do mesmo dia da operação não representa irregularidades. O defensor, no entanto, disse não saber o que havia nas pastas retiradas da Câmara Legislativa.

Vazamentos
As imagens divulgadas nesta segunda (17) mostram Alexandre Cerqueira retirando documentos dos gabinetes da Mesa Diretora. Já Sandro Vieira é visto entrando em uma sala pouco depois das 6h. Pouco depois, outro funcionário, não identificado, deixa o local com uma caixa. As fotos divulgadas nesta segunda (17) reforçam a suspeita de que houve vazamento de informações antes da primeira fase da Operação Drácon, em 23 de agosto.

Nas gravações obtidas pelo Ministério Público, Cerqueira aparece carregando caixas e envelopes em 20 de agosto, um sábado, às 10h30. Já Vieira foi à Câmara às 6h de 22 de agosto, na véspera da primeira fase da Drácon. Os arquivos dos computadores de funcionários que atuavam na vice-presidência foram deletados quatro dias antes da operação.

 

 

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