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Na Mira

Delegado e policiais são afastados por desvio de cargas de R$ 1,4 milhão

MP investiga suposto desvio e venda de carga apreendida durante a Operação Fogo Amigo. Delegado, escrivão e agente foram afastados

02/09/2026 10:04, atualizado 03/09/2026 12:55
Reprodução / Redes sociais
Delegado e policiais são afastados por desvio de cargas de R$ 1,4 milhão

O delegado da Polícia Civil de Goiás Alexandre Bruno de Barros (foto em destaque), o escrivão Sílvio Pereira de Macedo e o agente Antônio Gomes de Assis Sobrinho foram afastados das funções por 90 dias por determinação da Justiça. Os três são investigados em um inquérito que apura o suposto desvio de cargas de vergalhões — barras de aço utilizadas na construção civil — avaliadas em R$ 1,4 milhão.

A decisão foi proferida pelo 1º Juízo das Garantias de Goiânia, que determinou o afastamento cautelar dos servidores no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de desvio e venda clandestina de cargas e veículos apreendidos pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (DECAR).

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No processo aponta que o delegado recebeu propina
Delegado intimidou envolvidos
Processo explica como agente atuava
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Processo explica como agente atuava

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No processo aponta que o delegado recebeu propina
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No processo aponta que o delegado recebeu propina

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Delegado intimidou envolvidos
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Delegado intimidou envolvidos

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Além do afastamento, a Justiça determinou o recolhimento das armas, dos distintivos e das carteiras funcionais dos investigados, bem como o bloqueio de seus acessos aos sistemas da Polícia Civil.

Eles também estão proibidos de frequentar repartições policiais durante o período da medida. O afastamento tem prazo inicial de 90 dias e não implica suspensão da remuneração dos servidores.

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A coluna Na Mira tenta localizar a defesa dos outros citados. O espaço permanece aberto para manifestações.

Em nota, a defesa de Alexandre Bruno de Barros afirmou receber a decisão judicial com respeito e tranquilidade e disse confiar que as provas apresentadas demonstrarão a atuação regular do delegado. Os principais pontos são:

Armazenamento das cargas: segundo a defesa, a Polícia Civil de Goiás não tinha estrutura própria para armazenar as cargas recuperadas pela DECAR. Por isso, as vítimas autorizavam, por procuração, o encaminhamento dos materiais para depósitos privados. A defesa afirma ainda que o empresário citado no caso já atuava como depositário antes de Alexandre Bruno assumir a titularidade da unidade.

Ainda na nota, a defesa menciona que o desvio da carga de vergalhões de R$ 1,4 milhão jamais foi presidida pelo delegado.

Supostos R$ 200 mil: a defesa nega que o delegado tenha recebido ou dividido valores em espécie e classifica a acusação como sem fundamento. Afirma que Alexandre Bruno abriu voluntariamente os sigilos bancário e fiscal à Justiça antes do avanço das investigações.

Atuação perante órgãos de controle: a defesa sustenta que o delegado adotou medidas para cobrar soluções para a falta de estrutura da DECAR. Segundo a nota, ele comunicou a cúpula da Polícia Civil sobre o problema em maio de 2022, acionou o Ministério Público em janeiro de 2023 e, em junho de 2024, levou o caso ao GAECO, com documentos e pedido de providências.

PCGO apura condutas

Por nota, a PCGO informou, nesta quarta-feira (2/9), que a Corregedoria da instituição instaurou procedimento para apurar as condutas relacionadas aos fatos investigados na Operação Depositário Infiel II, sendo realizadas diligências, que estão em sigilo.

A Polícia Civil também informa que foram cumpridas administrativamente todas as medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário.

Operação Fogo Amigo

Segundo o Ministério Público, o ponto de partida da investigação foi o suposto desvio de uma carga de vergalhões apreendida durante a Operação Fogo Amigo, deflagrada em 2021. De acordo com o órgão, o delegado Alexandre Bruno, o escrivão Sílvio Pereira e o agente Antônio Gomes participaram da ação.

Os vergalhões, avaliados em R$ 1,4 milhão, teriam sido encaminhados para o depósito do empresário Silvio Dutra, conhecido como Carioca, segundo as investigações.

Ainda de acordo com o Ministério Público, bens apreendidos pela DECAR teriam sido levados informalmente para galpões ligados a integrantes do grupo investigado. O órgão afirma que o armazenamento ocorria sem contrato, licitação ou controle judicial.

Suposto desvio de cargas

Segundo os promotores, Carioca seria responsável por armazenar cargas e veículos apreendidos pela delegacia durante a gestão do delegado Alexandre Bruno.

As investigações apontam que o dinheiro obtido com a suposta venda das cargas seria dividido entre Carioca e agentes públicos vinculados à DECAR, incluindo o delegado.

Em 2023, a Polícia Civil realizou buscas em um dos galpões ligados ao empresário e apreendeu o celular dele. Segundo a investigação, mensagens encontradas no aparelho tratariam de supostos roubos, furtos e desvios de cargas.

O processo também registra o relato de um parceiro de Carioca, que teria afirmado ter entregado uma sacola com R$ 200 mil ao delegado.