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Após cinco anos de reclamações e pedidos de intervenção, os moradores do Setor de Mansões Isoladas Norte (SMIN) convenceram órgãos do governo a limpar a área. O serviço teve início em 30 de setembro, mas proprietários de imóveis na região afirmam que a ação é apenas uma pequena parte do que precisa ser feito para que o local seja urbanizado.

Segundo o presidente da Associação dos Proprietários do Setor de Mansões Isoladas Norte (Aspromin), Antônio Carlos Osório, “a área hoje está a ermo. Não tem iluminação pública e qualquer pessoa pode acessar a região sem nenhum tipo de controle”. O local, próximo à margem do Lago Paranoá, deveria abrigar um parque, mas, até o início da limpeza, era um espaço tomado pelo mato alto, usado por usuários de drogas e para o descarte de entulho.

Escola Superior de Guerra
O Setor de Mansões Isoladas Norte conta com terrenos residenciais e uma grande área verde entre o Centro Olímpico da Universidade de Brasília (UnB) e o Iate Clube. Na década de 1970, durante o governo militar, o Exército inciou as obras da Escola Superior de Guerra. Mas o empreendimento foi abandonado em agosto de 1974,  por ordem do general Ernesto Geisel, sob o argumento de falta de dinheiro. Hoje, o local é conhecido como “Ruínas da UnB”.

Os resquícios da construção do prédio militar também são outro ponto de reclamação dos moradores. Segundo Osório, o espaço apresenta um risco, já que é alto e não oferece nenhum tipo de segurança. “Qualquer pessoa pode passar ali, cair e se machucar. Além disso, a estrutura é feita de um material que acumula água e, em épocas de chuva, como a atual, pode se tornar um foco de mosquitos Aedes aegypti. Aquela construção deveria ser demolida”, afirma.

 

Pedido do Iate Clube
De acordo com o comodoro do Iate Clube de Brasília, Edison Garcia, a instituição também exerceu função importante no caminho que levou a limpeza a ser executada. “Há cerca de quatro meses, convidamos o administrador do Plano Piloto aqui e mostramos a situação. Agora, a intervenção finalmente teve início”, afirma.

Garcia também confirma que a grande quantidade de mato e lixo que se acumulava na área servia como criadouro de mosquitos e abrigava moradores de rua. Agora, ele acredita que a limpeza deve trazer melhorias ao local. “A área vai ficar visualmente mais bonita e os riscos serão bem reduzidos, principalmente neste período de chuvas, onde há grande proliferação de mosquitos”, explica.

Mesmo com as melhorias, Antônio Carlos Osório, da associação de proprietários, ainda acredita que a área, do jeito que está hoje, é um desperdício. “O espaço é muito bonito, tem vista para o Lago Paranoá. O GDF poderia construir um parque ou criar um novo espaço de cultura e lazer. Pagamos um IPTU de cerca de R$ 20 mil e estamos nesta situação”, reclama.

Limpeza
Para recuperar a área, equipes da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), da Administração do Plano Piloto e do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) iniciaram os trabalhos de retirada de entulho na última semana. Os servidores estão separando os tipos de lixo para que sejam destinados da forma correta.

Os objetos são recolhidos por tratores e levados por caminhões. O serviço seguirá nas próximas duas semanas, e os agentes devem usar parte da terra recolhida para cobrir buracos na estrutura de concreto da Escola de Guerra, que acumulavam água, conforme informou a Administração do Plano Piloto.

Ainda segundo a Administração do Plano Piloto, “o próximo passo será uma coleta de lixo realizada por servidores do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) às margens do lago, onde tratores e máquinas não podem acessar. Após a limpeza, serão marcadas reuniões com moradores e representantes do governo para determinarem os planos para uso do setor”. No entanto, ainda não há datas estipuladas para esses encontros.

 

 

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