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O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) negou, nesta sexta-feira (14/10), o pedido do Ministério Público formulado pelo promotor Leonardo Jubé, da 1ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri, para a prisão preventiva do policial federal Ricardo Matias Rodrigues. No entanto, diversas medidas cautelares foram impostas pelo juiz Paulo Giacondo.

Na decisão, que o Metrópoles teve acesso, o magistrado afirma que o policial teve conduta “deveras reprovável” e “comportamento impróprio e inadmissível após ingerir bebida alcoólica”. No entanto, o juiz disse que não dá para descartar a possibilidade de que Rodrigues tenha agido em legítima defesa, como alega seu advogado.

Com as medidas cautelares, a partir de agora, Rodrigues será impedido de andar armado. Ele perdeu o porte de arma, como também foi afastado do serviço de rua e terá que trabalhar apenas na área administrativa. O policial ainda será obrigado a ficar em casa à noite, está proibido de “participar de eventos festivos” e de deixar o Distrito Federal sem autorização prévia. Todo dia 25, o policial terá de comparecer em juízo. Caso desacate alguma das medidas, poderá ter a prisão decretada.

A tragédia
No último fim de semana, o policial  Ricardo Matias Rodrigues atirou contra dois homens durante festa no Lago Paranoá. Uma das vítimas, o funcionário do Banco do Brasil Cláudio Muller Moreira, 47 anos, não resistiu e morreu. Fábio da Cunha, 37, também alvejado na região abdominal, foi socorrido e não corre risco de morrer.

Ricardo Rodrigues confessou que atirou e matou Muller. Depois, o policial se apresentou espontaneamente na delegacia e prestou depoimento ainda no sábado (8). O crime é investigado pela 5ª Delegacia de Polícia (Área Central).

Procurado pela reportagem do Metrópoles, o advogado Antônio Rodrigo Machado, que defende o policial federal, afirmou que a decisão do juiz sobre não pedir a prisão do cliente foi a mais acertada, já que Ricardo Rodrigues tem endereço fixo e se apresentou após o ocorrido. “Isso mostra que o TJDFT não está comprando a versão dos jornais, diferentemente do MPDFT. Nossa linha é de legitima defesa e, nesse caso, não há a prisão preventiva”, completou.

Discussão
As versões contadas por testemunhas divergem em alguns aspectos, mas há um fator em comum nos depoimentos: o desentendimento entre mulheres presentes na comemoração foi o motivo da discussão que acabou na tragédia.

Segundo o agente Rodrigues, durante a comemoração do aniversário de três mulheres na embarcação Lake Palace, houve uma confusão e Cláudio e Fábio o teriam agredido. Rodrigues, então, sacou a arma e ordenou aos supostos agressores que se afastassem. Ao perceber que o comando não foi atendido, o policial disparou um tiro no abdômen de cada um e, em seguida, pediu para que alguém solicitasse socorro.

Rodrigues afirmou à polícia que tem ciência de sua ação e que agiu por legítima defesa. Ele entregou a arma na delegacia e foi liberado após assinar um termo, comprometendo-se a comparecer aos processos judiciais.

Essa versão, entretanto, é contestada por testemunhas que afirmam não terem visto Rodrigues se identificar como policial. O próprio autor dos disparos admitiu ter consumido bebidas alcoólicas na noite da festa. No entanto, segundo o advogado de Rodrigues, Antônio Rodrigo Machado, o cliente havia consumido “apenas duas ou três taças de vinho”.

Versão da mulher da vítima
Valderly Feitosa, esposa do homem morto pelo policial federal, disse que todos estavam se divertindo, ingerindo bebida alcoólica e dançando normalmente. Por volta de 23h, já na saída da festa, ela contou que foi ao banheiro e lá teria levado tapas na cara de uma das aniversariantes, que também a teria xingado de vagabunda.

A fotógrafa, então, narrou o ocorrido ao marido, mas não soube explicar exatamente o que ocorreu em seguida. Em seu depoimento, ela afirmou que apenas se lembra de ver Cláudio caído no chão, fora do barco, e que correu para socorrê-lo.

Ao prestar depoimento na 5ª DP, ainda na noite de sábado (8), Valderly registrou ocorrência por agressão contra a aniversariante, que a teria agredido com um tapa no rosto.

Segundo amigos de Cláudio ouvidos pelo Metrópoles, o bancário era uma pessoa tranquila e pacífica, que nunca se envolvia em confusões. Assessor empresarial de tecnologia de informação do Banco do Brasil, ele nasceu no Rio de Janeiro e veio para Brasília em 1998. Cláudio deixa uma filha de 22 anos, do primeiro casamento, e outra de 9 anos, além da esposa e de um enteado.

 

 

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