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Exatos três meses depois de sequestrar um recém-nascido no Hospital Regional da Asa Norte, Gesianna de Oliveira, 25 anos, foi julgada na tarde desta quarta-feira (6/9). A jovem foi condenada a 2 anos de reclusão e 10 dias de multa em regime aberto. A punição será substituída por duas penas alternativas, que serão definidas pelo juiz da Vara de Execuções Penais.

As penas alternativas podem ser pagamento de cesta básica, perda de bens, restrição aos finais de semana e suspensão temporária de direitos, como ficar sem poder dirigir, por exemplo. Segundo o juiz, colaborou para que Gesianna não ficasse presa o fato de ser ré primária, necessitar de ajuda psicológica, a tia ter colaborado com a investigação da polícia e o bebê não ter sofrido maus-tratos.

A sessão de julgamento de Gesianna na 8ª Vara Criminal de Brasília começou por volta das 14h, com o depoimento de testemunhas. Uma hora depois, a mulher entrou na sala. Pediu ao juiz Osvaldo Tovani, titular da 8ª Vara, para que falasse sem a presença da imprensa e o magistrado autorizou. Ele disse que a medida era para não prejudicar um eventual depoimento da ré.

A sequestradora ficou oito minutos na sala. Usou um cachecol no início da audiência para esconder o rosto. A mulher confessou o crime, acrescentou que desejava ser mãe e tentou engravidar. Como não conseguiu, sequestrou o bebê. Mas se disse arrependida.

O Ministério Público não vai recorrer da decisão. “Gesianna vai ter a oportunidade agora de caminhar no rumo certo”, disse o promotor Valmir Santos, ao final do julgamento.

Testemunhas ouvidas
Foram ouvidas as seguintes testemunhas: José Ibânio, policial militar que acompanhou o caso; Roseane Alencar, tia de Gesianna, que colaborou com informações à polícia para que a sequestradora fosse encontrada; Maria Helena Barbosa Campos, funcionária do Hran, que viu Gesianna na maternidade do hospital no dia do sequestro; além de Adriano Borges Pereira, esposo da acusada.

Jorge Lima da Silva, tio de Gesianna, foi o último a falar. Ele acompanha a sobrinha nas sessões com psiquiatra e psicólogo na Universidade de Brasília (UnB). “Tem dias que ela (Gesianna) está bem, normal. E tem dias que ela teve reações comigo. Uma vez no carro ela sorriu, tirou o cinto e tentou saltar do carro”, contou Jorge, em seu depoimento.

O crime
O pequeno Johny dos Santos Junior foi levado por Gesianna do segundo andar do Hran no dia 6 de junho deste ano. A mulher agiu enquanto a mãe da criança, Sara Maria da Silva, 19, participava de uma atividade com outras pacientes da maternidade.

O desaparecimento da criança foi notado por enfermeiras da unidade. Logo depois, testemunhas informaram à polícia que a sequestradora era uma mulher loira de vestido florido.

A ação da Gesianna não foi flagrada por nenhuma das 28 câmeras de segurança da unidade de saúde porque os equipamentos não estão gravando imagens. Como o Metrópoles mostrou, três meses depois do sequestro, a situação permanece a mesma.

Gasianna foi presa em casa, na QE 38 do Guará II, no dia seguinte ao rapto. Ela estava com o menino nos braços quando a polícia bateu à sua porta. A sequestradora enganou o marido e a família, simulando uma gravidez. E, segundo as investigações, planejou levar a criança de um hospital público.

 

 

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