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Acusados de fazer parte da Máfia dos Concursos, Hélio Ortiz, Bruno Ortiz e Rafael Rodrigues permanecerão atrás das grades. A Justiça do Distrito Federal negou, nesta segunda-feira (11/9), pedido da defesa para que eles fossem colocados em liberdade. A decisão é do juiz Gilmar Rodrigues da Silva, da Vara Criminal e Tribunal do Júri de Águas Claras.

Segundo o magistrado, é fato notório que  a organização criminosa atua na fraude de concursos públicos há mais de uma década, e que, a despeito de ter sido alvo de outras operações policiais, “seus integrantes continuam nessa mesma senda criminosa”.

“Entendo que a prisão preventiva dos requerentes também se justifica para conveniência da instrução criminal. Isto porque as investigações foram concluídas pela autoridade policial apenas parcialmente. Nessa linha, não se olvide da capacidade de os requerentes interferirem nas investigações, considerando a bem articulada organização da qual fazem parte”, avaliou.

Denúncia
Investigações apontaram que os criminosos cobravam dinheiro de alunos de cursinhos prometendo garantir vagas em concursos públicos e até mesmo em vestibulares concorridos de universidades federais. A suspeita é de que pelo menos 100 pessoas tenham sido beneficiadas com o esquema.

Segundo as apurações, os candidatos chegavam a pagar R$ 200 mil para conseguir a aprovação. Era dado um sinal entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Se o nome constasse entre as primeiras colocações na divulgação do resultado, os aprovados desembolsavam até 20 vezes mais para concretizar o negócio.

O esquema motivou o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) a denunciar, na última sexta-feira (8/9), quatro acusados de integrar a Máfia dos Concursos que agia na capital. Hélio Ortiz, seu filho Bruno Ortiz, Rafael Rodrigues da Silva e Johann Gutemberg dos Santos foram acusados de organização criminosa, fraudes em concursos e falsificação de documento público.

As investigações da Operação Panoptes, que culminaram na prisão do quarteto, continuam e possíveis fatos referentes a outros envolvidos poderão resultar em novas ações penais.

“Chefia”
O grupo agia sob a liderança do ex-servidor do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) Hélio Ortiz e envolvia até o dono de uma faculdade, acusado de fornecer diplomas de curso superior aos candidatos. Ortiz foi preso pela primeira vez em 2006. Julgado e condenado, acabou solto por não existir, à época, a tipificação do crime de fraudes em concursos públicos.

Segundo a Polícia Civil, Bruno, morador de Águas Claras, era o executor do esquema e aliciava os candidatos; Rafael trabalhava sempre ao seu lado, auxiliando nas atividades ilícitas, e Johann viabilizava diplomas falsos de graduação e pós a quem precisasse e pagasse bem.

Metodologia
De acordo com a Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco), da Polícia Civil do DF, as fraudes ocorriam, geralmente, de quatro formas. Uma delas era a utilização de ponto eletrônico pelos candidatos, que recebiam as respostas de integrantes da organização criminosa, denominados “pilotos”. Eles seriam os responsáveis por fazer a prova e sair do local com as respostas. Outra forma de operação era a utilização de celular escondido no banheiro, com transmissão das soluções.

Também foi verificado o envolvimento de bancas organizadoras, que recebiam as folhas de resposta quase em branco e faziam o preenchimento de acordo com o gabarito oficial. O último método consistia na realização da prova por outra pessoa, que não o inscrito, com o uso de documentos falsificados.

 

 

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