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No dia 1º de janeiro de 1959, a revolução cubana venceu e Fidel Castro se tornou um dos principais personagens da política mundial. Além de ganhar os olhos do mundo como revolucionário, Fidel também se destacava entre os países das Américas como símbolo de renovação política, que viam a possibilidade de formar um “pan-americanismo” cultural, comercial e militar. O Brasil, que passava por grandes mudanças internas sob o governo de Juscelino Kubitschek, convidou o novo presidente cubano para visitar o país.

Assim, Fidel Castro conheceu Brasília em abril de 1959. Ainda em obras, pode ver de perto a arquitetura de Oscar Niemeyer, admirador histórico da política instaurada pelo cubano, que serviu de guia particular durante praticamente toda a visita. Na oportunidade, Fidel declarou que o arquiteto seria o único brasileiro do século 20 a ser lembrado após três mil anos.

Porém, se o afeto entre o arquiteto e o cubano foi quase instantâneo, o contrário ocorreu entre Fidel e JK. Em um depoimento que pode ser encontrado no livro “Brasília Kubitschek de Oliveira”, escrito por Ronaldo Costa Couto, o então presidente brasileiro afirmou que não conseguiu conversar com o líder revolucionário.

“Fidel Castro não compreende o diálogo. É homem de monólogo. Falou durante duas horas seguidas, quase sem tomar fôlego. À uma hora da tarde, tentei interrompê-lo, para ordenar que servissem o almoço. A todo gesto que fazia ensaiando levantar-me, segurava-me pelo braço e falava com mais veemência”, conta. Ainda assim, não deixou de destacar a admiração que Fidel tinha pela cidade.

É uma felicidade ser jovem neste país, presidente"
disse Fidel Castro a JK

Décadas depois
Com a chegada da ditadura militar ao poder em 1964, a política brasileira deu uma guinada à direita e tornou Fidel Castro persona non grata no Brasil. Se passaram 31 anos para que o cubano voltasse ao país e, consequentemente, pisasse novamente em Brasília. O feito foi realizado em 1990, quando o cubano marcou presença na posse de Fernando Collor de Melo.

Durante a visita, Fidel Castro chamou a atenção por ser um dos convidados mais efusivos da cerimônia – Collor foi o primeiro presidente brasileiro eleito após a ditadura militar. Durante o discurso de 54 minutos do novo presidente no Congresso Nacional, Fidel foi responsável por algumas das 33 interrupções feitas por conta das salvas de palmas.

WILSON PEDROSA/ESTADÃO CONTEÚDO

Registro feito em 1999 de Fidel Castro e então presidente da República Fernando Henrique Cardoso

 

Depois disso, o presidente de Cuba voltaria a Brasília mais quatro vezes. Três delas para participar das cerimônias de posse da presidência da República: em 1995, com a eleição de Fernando Henrique Cardoso; em 1999, na reeleição de FHC; e em 2003, com Luiz Inácio Lula da Silva no poder.

A outra ocorreu em 2001, numa breve parada para descanso na volta de uma conferência realizada na África do Sul. Nesse momento, Fidel visitou a embaixada cubana, no Lago Sul, e hospedou-se no Hotel Naoum (Setor Hoteleiro Norte).

 

 

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