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Apuração pelo Brasil

Distrito Federal

Família diz que aluno que agrediu colega era alvo de bullying há anos

Defesa afirma que menor era alvo de ofensas racistas e comentários sobre o corpo e que agressão no colégio militar ocorreu após provocações

14/08/2026 09:58, atualizado 14/08/2026 14:49
Gustavo Moreno/Metrópoles
Colégio Dom Pedro II - Metrópoles

A defesa da família do comandante do Corpo de Alunos do Colégio Militar Dom Pedro II, Gilberto Hideki Ueda, afirmou que o filho do oficial, apontado como responsável pela agressão a um colega na última terça-feira (4/8), era vítima de bullying reiterado há anos.

“O adolescente é vítima, há anos, de bullying reiterado por parte de colegas de turma, com ofensas relacionadas ao seu nome, à sua ascendência japonesa e também pelo fato de ser negro, além de comentários depreciativos sobre seu corpo. O histórico escolar do adolescente registra ainda episódios recorrentes de exclusão e importunação por parte de colegas”, diz a nota enviada ao Metrópoles.

Segundo a defesa, no dia da agressão, após uma derrota em um jogo de handebol, colegas fizeram comentários depreciativos e ofensas contra o adolescente. As provocações teriam se intensificado durante o retorno à escola e continuado no vestiário.

Ainda de acordo com a família, o estudante foi para um dos boxes do banheiro na tentativa de se afastar dos colegas e fazer com que as ofensas cessassem. Mesmo assim, teria sido alvo de sucessivos arremessos de bolinhas de papel molhadas e sujas, sendo atingido inclusive no olho.

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A defesa afirma que a agressão ocorreu nesse contexto e que não houve intenção de causar lesões. Segundo a nota, o episódio terminou por iniciativa do próprio adolescente, antes da intervenção dos monitores.

Logo depois, ainda segundo a família, o estudante procurou o colega para saber como ele estava e ao perceber que o menino aparentava estar bem, pediu desculpas pelo ocorrido.

“A família lamenta o ocorrido e deseja pronta recuperação ao colega envolvido. Ao mesmo tempo, destaca que o que aconteceu faz parte de um processo muito maior, que precisa ser apurado considerando também tudo o que ocorreu anteriormente”, diz a nota.

A defesa também destaca que, ao tomar conhecimento do episódio, o comandante solicitou voluntariamente o afastamento das atividades relacionadas ao caso, com o objetivo de preservar a lisura da apuração.

O oficial foi transferido para o Grupamento de Aviação Operacional do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF), segundo apuração da coluna Na Mira. O afastamento das funções foi determinada pela governadora Celina Leão após suspeita de que o filho do comandante seria o responsável pela agressão.

A vítima está no 7º ano e foi agredida por um colega do 8º ano com socos no rosto. O menino precisou ser encaminhado de ambulância para atendimento hospitalar e teve o nariz fraturado.

O estudante agredido relatou a diversas pessoas que não reagiu, porque sabia que o colega é filho de um oficial de alta patente do Corpo de Bombeiros e temia que, caso reagisse, pudesse ser expulso do colégio.

Em nota ao Metrópoles, o CBMDF informou que o colégio socorreu a criança e manteve contato com os responsáveis pelos estudantes envolvidos e o caso.

“O CMDP II instaurou os procedimentos necessários para a elucidação dos fatos e realiza na quarta (12) uma reunião do Conselho Escolar como parte do processo apuratório. O militar que, na ocasião, exercia a função de Comandante do Corpo de Alunos foi exonerado. O CBMDF e o CMDPII reforçam que o caso está sendo tratado com a devida atenção e responsabilidade, respeitando o processo de apuração e, especialmente, a proteção e a privacidade dos estudantes envolvidos”, diz a nota.

Agressão

Segundo relatos, os estudantes estavam jogando handebol fora do colégio e, após o time perder, retornaram para a escola. No vestiário, eles continuaram brincando entre si.

“Em certo momento, [a vítima] e mais dois começaram a jogar bolinha de papel, [um deles] jogou no menino e ele teve essa alteração. Parece que dois correram para um lado e ele para outro, até que alcançou a vítima”, disse um conhecido.

Foi nesse momento que o agressor teria dado um golpe e jogado a vítima no chão. Para não bater a cabeça, o estudante apoiou os cotovelos no chão. Em seguida, o agressor teria montado em cima dele e começado a desferir socos no rosto.

Segundo relatos, o agressor deu diversos golpes, principalmente na região do rosto, e só parou após a intervenção de dois monitores. O próprio colégio acionou uma ambulância para conduzir o aluno agredido ao Hospital Alvorada para atendimento médico.

A coluna Na Mira teve acesso aos exames realizados pela vítima, que constataram uma fratura multifragmentada do osso nasal esquerdo, desvio do septo nasal para a esquerda e pansinusopatia, sem sinais de processo inflamatório agudo.

Segundo a família, o agressor é lutador de judô. O estudante de 13 anos ficará 21 dias afastado e não poderá praticar exercícios físicos durante o período.

O caso foi registrado na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) 1, e a vítima foi submetida a exame no Instituto de Medicina Legal (IML) no mesmo dia.