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Sete em cada 10 estudantes da Universidade de Brasília (UnB) não conseguem terminar o curso no tempo regular ou abandonam a graduação. (*)Segundo a percepção dos coordenadores de cursos da instituição, entre os principais motivos para a situação estão as reprovações e problemas financeiros. Em um levantamento feito pela instituição, 79% dos docentes apontaram as notas ruins como uma das causas para a retenção de alunos — finalização do curso de graduação após o período regular. Outros 35% citaram questões socioeconômicas.

Os dados fazem parte de um estudo do Decanato de Ensino de Graduação (DEG), elaborado a partir das informações fornecidas por coordenadores de cursos através de questionários. O trabalho analisa as percepções dos professores sobre as principais causas para a retenção de alunos na universidade.

Segundo estatísticas divulgadas no ano passado, até 2014, apenas 29,5% dos alunos da UnB que ingressaram entre 2002 e 2008 na universidade se formaram no tempo mínimo previsto. Já os que concluíram a graduação com algum atraso representaram 46,6% dos 29.891 calouros que se matricularam no período.

A principal circunstância apontada pelos docentes para a retenção de estudantes são as reprovações, mencionadas por 79,4% dos coordenadores de cursos. Segundo a UnB, no primeiro semestre deste ano, já foram 20.506, e ainda há notas a serem computadas. No segundo período de 2016, esse número ficou em 18.038 e, no primeiro, 23.162.

Depois, os professores apontam os problemas pessoais e familiares (52,9%), a adaptação à universidade (50%), as questões socioeconômicas (35,3%), outras situações não listadas (26,5%), falta de flexibilidade na estrutura curricular do curso (23,5%) e, por fim, problemas relacionados à saúde (14,7%).

Às vezes, esses problemas vêm em conjunto. Foi o que aconteceu com a estudante Julia Seabra, que cursa comunicação organizacional na universidade. Ela ingressou na UnB no primeiro semestre de 2011 e deveria permanecer na instituição até julho de 2015, para completar o curso que tem duração mínima de quatro anos. No entanto, seis anos e meio depois, ainda não se formou.

“O atraso começou no segundo semestre de 2014. Meu avô morreu e, apesar de não ser tão próxima a ele, fiquei muito abalada e triste. Nesse período, reprovei em cinco matérias e passei em uma com nota muito baixa. Aí desandou tudo”, explica. A jovem afirma também que, a partir de então, focou mais em se profissionalizar do que na universidade. Agora, prestes a cursar o 14º semestre, ela espera se formar no fim do ano. “Tomara que dê tudo certo”, diz.

 

Fórum de soluções
Altos índices de retenção podem causar um acúmulo de estudantes na universidade e aumentam os riscos de evasão – taxa que até 2014, na UnB, era de 23,9%. Além disso, baixam a Taxa de Sucesso na Graduação (TSG) de determinado período, indicador de desempenho que compara o número de ingressantes e diplomados na instituição. Na Universidade de Brasília, esse percentual é de 76,1%.

Com o objetivo de reduzir o problema, o Fórum Permanente de Planejamento e Estratégias na Graduação da UnB discutiu os dados sobre as principais causas de retenção de alunos, em reunião realizada no fim do mês passado. O grupo, formado em fevereiro deste ano, é composto por representantes do Decanato de Ensino e Graduação (DEG), coordenadores de cursos, alunos e professores convidados, e pretende “propor caminhos que permitam melhorias na qualidade do ensino e aprendizagem”.

Uma das soluções propostas pela decana de Ensino de Graduação, Cláudia Garcia, durante o encontro, foi a possibilidade de criação de sistemas paralelos para as disciplinas de alta demanda. Como muitos estudantes não conseguem cursar matérias obrigatórias por conta da falta de vagas, acabam não conseguindo avançar no curso e ficam retidos. De acordo com a decana, com um sistema alternativo, “é possível estabelecer a implementação de sistemas de proficiência e avaliações diferenciadas”.

Na reunião, também foi comentada a possibilidade de oferta de matérias na modalidade de Ensino a Distância (EaD). O fórum ainda tem marcados outros quatro encontros até o fim do ano para discutir temas como a mudança de cursos e a infraestrutura da universidade.

*Inicialmente, o Metrópoles informou que a pesquisa representava dados estatísticos sobre as causas para retenção de estudantes na UnB. O estudo, no entanto, analisa apenas as percepções de coordenadores de cursos sobre o tema.

 

 

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