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Buracos na rua, transporte público ameaçado de colapso, hospitais sem materiais básicos, como luvas e máscaras. Essa é a realidade do Distrito Federal. A impressão que passa é que o Estado está à beira da falência. Nem parece que cada brasiliense desembolsou, no ano passado, R$ 58,4 mil para pagar impostos.

O valor é seis vezes maior do que a média nacional per capita (R$ 9,6 mil) e 3,5 vezes mais do que os moradores de São Paulo (R$ 16,5 mil) pagaram. Os dados fazem parte de um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) e levam em conta os números absolutos.

O levantamento considera as pessoas físicas e jurídicas. O alto valor registrado no DF é atribuído ao fato de a região ser sede de grandes empresas, principalmente estatais, e ter a renda média mais alta do país.  Enquanto em São Paulo e Rio de Janeiro a média por habitante no pagamento de Imposto de Renda gira em torno de R$ 3 mil, no DF ela é superior a R$ 22 mil, por exemplo.

Veja quem mais pagou imposto em 2016:

Reprodução/IBPT

Para os especialistas, o maior problema está na gestão dos recursos públicos. “O governo tem dificuldades em administrar o que arrecada”, dispara o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques. Ele critica, ainda, a Câmara Legislativa, que não tem ajudado muito o Palácio do Buriti na indicação de onde o dinheiro arrecadado dos contribuintes deve ser gasto e de que forma.

“O GDF reclama que não sobram recursos porque tem gastos elevados. Mas fica difícil para a população entender, já que os valores pagos pelo contribuinte são altos”, afirma. A empresária Lucélia Santos, 34 anos, é proprietária de um salão em Taguatinga e conta que não está satisfeita com os serviços oferecidos pelo governo.

Parte da minha renda, hoje, é para pagar tributos. O meu comércio foi assaltado duas vezes em menos de três meses. Não sinto que estou protegida pelo Estado. Agora, com as chuvas, volta aquele velho problema dos buracos no asfalto. Para onde está indo esse dinheiro?"
Lucélia Santos

Veja os principais impostos e taxas pagos pelos brasilienses, segundo o IBPT:

Para o presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, o fato de a capital federal ter a maior renda do país mascara um problema social grave. “Talvez, em Brasília, tenhamos a maior desigualdade social. Encontramos cidades com contribuintes que têm renda inferior aos que moram em regiões mais pobres do país. Muitos pensam que aqui é uma cidade de ricos, mas eles, na realidade, são minoria”, explica.

O outro lado
O Governo do Distrito Federal informou que ainda está fechando os dados de arrecadação de 2016 e que eles serão anunciados em breve. Destacou, no entanto, que parte do que foi pago se refere a impostos federais e não fica nos cofres do GDF.

O Executivo explicou, ainda, que o DF perdeu mais de R$ 1 bilhão em repasses da União no ano passado e que mesmo não concedendo reajustes aos servidores públicos, a folha de pessoal teve um crescimento vegetativo de R$ 600 milhões, consumindo parte significativa de recursos que deveriam ser destinados a investimentos em educação, saúde e segurança.

 

 

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