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Com um plano de saúde sem a cobertura necessária, convênios cancelados por falta de pagamento e uma dívida que chega a R$ 60 milhões, o Hospital da Polícia Militar entrou na mira da Operação Mr. Hyde por suspeita de desvio de verbas. Dois oficiais são investigados por suposta participação no esquema da Máfia das Próteses em troca de comissões que variavam de 10% a 15% por procedimento. Enquanto isso, integrantes da corporação sofrem as consequências da falta de dinheiro e atendimento precário.

É o caso do sargento Silvio Henrique Santiago Silva, que está há 28 anos na PM. Todos os meses, o plano de saúde é descontado no contracheque dele. No entanto, o militar teve uma cirurgia negada e pede socorro aos colegas para que possa receber o atendimento de que precisa.

O sargento está com uma hérnia umbilical e tem de ser operado, mas não consegue pelo plano da corporação. Enviou um vídeo emocionado aos colegas. Comovidos, eles decidiram fazer uma vaquinha para arrecadar recursos. “Nunca precisei da PM. Agora, preciso fazer uma cirurgia que custa R$ 10 mil. Se vocês puderem me ajudar, com R$ 1 de cada um, quando a PM me ressarcir eu pago cada um. Peço que me ajudem”, afirma.


O caso aumentou a revolta na corporação. “Vemos a denúncia de corrupção com preocupação e repúdio. Nossos policiais não têm atendimento médico. Estamos fazendo uma vaquinha para ajudar o colega que paga pelo plano. É um absurdo”, afirmou o presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares do DF (Aspra-DF), João de Deus.

O vice-presidente da entidade, sargento Manoel Sansão, destacou ainda que o convênio deve R$ 64 milhões e que, hoje, os policiais contam com atendimento somente no Hospital Maria Auxiliadora do Gama, além da unidade da PM. “Não temos amparo algum. Os últimos policiais baleados em serviço foram atendidos no Hospital de Base do DF. Se ainda existe suspeita de cirurgias desnecessárias, é preciso apurar e punir quem está envolvido”, completou.

Nesta quarta (23/11), os distritais aprovaram o remanejamento de R$ 20 milhões para o Fundo de Saúde da Polícia Militar. O valor será destinado para custeio de serviços ambulatoriais médicos e odontológicos, atendendo a demandas dos policiais militares.

Mr. Hyde
O suposto envolvimento de oficiais da PM lotados no hospital da corporação levou a Polícia Civil e o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) a cumprir mandados de busca, apreensão e condução coercitiva na unidade nesta quarta.

Michael Melo/Metrópoles

São alvos da investigação o coronel Marcelo Gonzaga Peres, titular da Diretoria de Assistência Médica do Departamento de Saúde e Assistencial ao Pessoal do Subcomando Geral da PMDF, e o fiscal de Auditoria de Perícia Médica, Marco Antônio Alencar de Almeida.

De acordo com o promotor de Justiça Maurício Miranda, a Polícia Civil vai apurar os fatos. “Nesse caso, serão analisadas duas situações específicas que apareceram por meio de denúncia”, afirmou.

A Polícia Militar diz que está à disposição para contribuir com as investigações. Sobre o caso do sargento Silvio, a PM foi procurada pela reportagem, mas não se posicionou até a última atualização desta reportagem.

Relação com a Drácon
Na investigação do suposto envolvimento do plano de saúde da PM com a Máfia das Próteses, os promotores do MPDFT encontraram um fato comum entre as operações Mr. Hyde e a Drácon: as emendas parlamentares.

O plano que atende os policiais militares e seus familiares é mantido pelo Fundo de Saúde da PMDF, abastecido por recursos destinados pela Câmara Legislativa. As emendas parlamentares também foram utilizadas pelos cinco distritais denunciados pela Drácon – Celina Leão (PPS), Raimundo Ribeiro (PPS), Julio Cesar (PRB), Bispo Renato (PR) e Cristiano Araújo (PSD) – para transferir recursos a empresas de UTIs, via Fundo de Saúde do DF, supostamente em troca de propina.

“O plano da PMDF é um daqueles que recebem quantias milionárias dos cofres públicos, via Fundo de Saúde da PM, verbas estas destinadas por meio de emendas parlamentares”, registrou o Ministério Público nos autos da investigação da Máfia das Próteses.

Serviço:
Quem quiser ajudar na cirurgia do sargento Silva, pode contribuir.

Reprodução/Whatsapp

 

 

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