Distrito Federal tem junho mais frio dos últimos cinco anos
Este mês, termômetros registraram 9,4ºC. Mínimas de 2011 a 2015 ficaram entre 11,1ºC e 12,8ºC. Chegada do La Niña traz massas de ar frio para o continente e ajuda na queda das temperaturas
atualizado
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A quantidade de pessoas desfilando com cachecóis e casacos pelas ruas do Distrito Federal nos últimos dias – principalmente nos períodos da manhã e da noite – não pode ser considerada exagero. O frio chegou de vez e este mês de junho se confirmou como o mais gelado dos últimos anos na capital. No dia 18, os termômetros marcaram a mínima de 9,4ºC – número inferior aos registrados de 2011 a 2015.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os meses de junho e julho são historicamente os mais frios do ano no DF. No entanto, a capital começou a registrar baixas temperaturas um pouco mais cedo este ano. Em maio, período de transição entre o outono e o inverno, os brasilienses já começaram a tirar os casacos do guarda-roupa.“Tivemos um forte El Niño em 2016. Ele se configurou em abril, o que trouxe certa influência sobre o Hemisfério Sul. O fenômeno costuma trazer invernos mais rigorosos para o Brasil”, explicou o meteorologista Mamedes Luiz Melo. Agora, com o declínio do El Niño, há a chegada do La Niña – responsável pela entrada de massas de ar frio no continente – e, como consequência, verifica-se uma queda nos termômetros.
Entre 2011 e 2015, a temperatura mínima registrada em junho ficou entre 11,1ºC e 12,8ºC. Em julho, os termômetros não variaram muito e se mantiveram entre 11,3ºC e 12,5ºC. No entanto, como a média histórica de temperaturas mínimas para o mês de julho tende a ser menor que a de junho, o frio deve aumentar ainda mais nos próximos dias.
“A mínima histórica para junho no DF é de 13,3ºC. Em julho, já cai para 12,9ºC. É característica do inverno a entrada de massas de ar de origem polar. Elas chegam secas ao continente e abaixam as temperaturas. Por isso, a gente já observa também baixos índices de umidade relativa do ar em julho”, completou a meteorologista Ingrid Peixoto.

As baixas temperaturas animam a economia local. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), o percentual de expansão na venda de casacos, cobertores e blusas de lã deve subir em torno de 5% até o fim de agosto. Já em setembro, quando a estiagem deve aumentar, as vendas de cremes hidratantes e umidificadores podem ter alta de até 10%.
Sensação térmica
Outro fator que explica a impressão de ainda mais frio neste inverno está na sensação térmica. De acordo com Melo, a estação concentra mais ventos e baixa umidade no Distrito Federal, o que faz com que os dias pareçam ainda mais gelados.
“Os ventos são mais fortes nesse período, porque ficamos sob a influência de rajadas no sentido anti-horário. A alta pressão do oceano e a atuação de massas de ar no quadrante leste (direção de onde ele vem) também interferem bastante”, concluiu Melo.
Na quarta-feira (29/6), por exemplo, a temperatura por volta das 7h era de 14ºC. Por conta do vento, a sensação térmica chegou a 6ºC na mesma faixa de horário. O Inmet informou que não é possível fazer esse levantamento em relação aos últimos anos, uma vez que é necessário analisar as rajadas de vento em cada período.
Centros Olímpicos
Por conta do frio, alguns Centros Olímpicos do Distrito Federal estão tendo que interromper as aulas de natação. Há uma recomendação da Vigilância Sanitária e da Federação Internacional de Natação (Fina) que diz que a temperatura da piscina deve estar entre 24ºC e 30ºC para que as aulas possam ser realizadas. No entanto, as unidades do Recanto das Emas, de Ceilândia, do Gama, de Santa Maria e de Brazlândia não possuem o aquecedor elétrico e, muitas vezes, não conseguem atingir a temperatura ideal para que a prática esportiva ocorra.
“Pelo formato dos aquecedores e como as piscinas são abertas, a gente tem uma perda gradativa de temperatura na água. Como não conseguimos manter a mínima recomendada em dias muito frios, resolvemos realizar outras atividades com os alunos”, explicou o chefe da assessoria especial do gabinete da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do Distrito Federal, Humberto Morais.
Em outros centros, onde há aquecedores elétricos e solares, a temperatura é mais facilmente mantida. “É uma avaliação feita a cada dia. Às vezes acontece de termos aulas durante a manhã e o tempo esfriar muito à noite, aí já procuramos outras modalidades para os alunos”, completou Morais.
O problema não é novo, mas chegou com antecedência ao DF em 2016. “Estamos realizando estudos para tentar minimizar ou sanar essa questão”, finalizou. A situação deve ser normalizada entre o fim de julho e o início de agosto, quando as temperaturas voltam a subir na capital.
