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Tímido e de poucas palavras, mas com a certeza de que no futuro as coisas serão melhores. É com o sorriso “banguela” no rosto que o vigia e lavador de carros Célio Roberto dos Santos, 37 anos, conversou com a reportagem do Metrópoles. Perguntado se a falta dos seis dentes da frente está o deixando com vergonha de sorrir, ele negou com simplicidade: “Eu não! A gente não pode ter vergonha de trabalhar direito, de ser honesto. É vida que segue, vou continuar rindo assim mesmo”.

E tem que ter muita resiliência para continuar sorrindo depois de tudo que aconteceu. No último fim de semana, Célio foi assaltado perto de onde mora, no Jardim Ingá, em Luziânia. No entanto, os dois bandidos — um deles seria menor — não teriam ficado felizes com os R$ 12 que o lavador de carros tinha na carteira e, por conta disso, o espancaram covardemente. Com isso, Célio perdeu seis dentes.

Mas é na hora do desespero que a bondade humana pode fazer a diferença. Há 7 anos, ele trabalha vigiando e lavando os carros dos lojistas e clientes de um prédio comercial na 714 da Asa Sul. Por lá, é muito querido por todos — do dono do restaurante que cede água para o vigia lavar os automóveis a uma médica que doou para ele os antibióticos necessários depois da surra. Agora, os amigos tentam juntar dinheiro ou encontrar um dentista que possa devolver o sorriso completo para o Célio.

“Eu não acho que estamos fazendo algo demais. Para mim, é impossível olhar para uma pessoa nessa situação e não querer ajudar”, conta uma das comerciantes do local, que não quis ter o nome divulgado. Partiu dela a ideia de fazer uma vaquinha virtual para que amigos e até mesmo desconhecidos doem pequenas quantidades para ajudar no tratamento do Célio. Até agora, a iniciativa já arrecadou R$ 1,170.

Segundo a lojista, o tratamento é caro e, por isso, o grupo deseja encontrar um dentista que esteja disposto a fazer um precinho camarada. “Na semana que vem, o Célio já tem até algumas consultas marcadas. Mas a gente não sabe se vai dar certo, se alguém vai querer pagar. No entanto, qualquer dinheiro que entrar é para ajudar o Célio, é dele. Ele veio trabalhar dois dias depois de perder os dentes, todo inchado, porque precisa. Não dá para não fazer nada”, explicou.

Enquanto isso, Célio segue com sua rotina difícil, distribuindo cuidado e sorrisos para quem passa no centro comercial. “Eu acordo todo dia às 3h da manhã. Saio de Luziânia às 4h, para chegar aqui cedinho, e lavar o carro de quem tem interesse. Tem gente que precisa que eu lave depois do expediente, então eu fico até 20h, 21h. Chego em casa quase na hora de voltar. O que eu ganho é pouco, é só para viver mesmo e seguir levando a vida”, conta.

 

 

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