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O que deveria ser um “evento épico”, segundo os próprios organizadores da festa Calourada da UnB, agendada para a noite de sábado (1/10), tornou-se, na verdade, um desastre para cerca de cinco mil pessoas que pagaram pelos ingressos. A multidão que lotou a estrutura erguida no Centro Comunitário da Universidade de Brasília esperava ver atrações famosas, como a banda Raimundos ou o rapper Projota. Mas nenhum dos dois apareceu no palco principal, já que o local foi interditado pelo Corpo de Bombeiros por falta de alvará.

As ausências, somadas a problemas como uma onda de furtos de celulares dentro da festa, filas quilométricas, banheiros sujos e bebidas quentes, revoltaram quem esperou até as 5h deste domingo (2) para ver os artistas tocarem. Organizada pela produtora UnBaladas, a festa foi divulgada durante semanas por meio de uma página no Facebook.

A desorganização mereceu até um post do Digão, guitarrista e vocalista dos Raimundos, para esclarecer o que tinha ocorrido. O artista afirmou que o local tinha alvará para mil pessoas. No entanto, a multidão era composta por cerca de cinco mil espectadores. “Não havia extintores adequados, além de outros problemas que levaram os bombeiros a interditarem todo o evento’, afirmou o cantor. A banda chegou a fazer a passagem de som antes da festa (foto de destaque), mas não saiu do camarim na hora prevista.

Veja o vídeo:

 

Reclamação geral
Ao longo de todo o domingo, dezenas de pessoas reclamavam do evento e pediam de volta o dinheiro pago pelos ingressos. ” A temática era circo, mas os palhaços fomos nós”, disse um dos estudantes da UnB que compareceu à festa. “Pior calourada de todos os tempos”, reclamava outro.

Reprodução/Facebook

 

A ira de boa parte das pessoas que se sentiram enganadas pela ausência das atrações prometidas pela organização fez com que uma página fosse criada para criticar a Calourada da UnB. Intitulada “a pior de todos os tempos”, o espaço afirma que as “atrações eram fantasmas e que era preciso doar um fígado para comprar uma cerveja”. Nos comentários, muitos frequentadores que estiveram na festa se mobilizavam para abrir uma ação no Procon.

Reprodução/Facebook

 

O outro lado
O Metrópoles procurou os responsáveis pela organização da festa Calourada, mas nenhum deles foi encontrado. No entanto, a produtora UnBaladas publicou, em sua página no Facebook, uma nota de esclarecimento sobre os problemas ocorridos.

Segundo a publicação, o alvará de funcionamento foi emitido pelas vias legais. “Para retirada do alvará de licença de funcionamento, contratamos o mesmo despachante das últimas 3 calouradas, pessoa esta que conhece o local e a capacidade de público, e este foi orientado de que a capacidade de público seria aumentada.”, diz a nota.

A UnBaladas ainda ressaltou que a vistoria no local da festa foi realizada em 29 de setembro, por agentes fiscalizadores, que tomaram conhecimento do espaço e de sua capacidade de público. A licença obtida foi de acordo com a fiscalização feita in loco.

“A licença de funcionamento número 01337/2016, que autorizou o exercício de atividades econômicas e atividades sem fins lucrativos no âmbito do Distrito Federal nos termos da Lei 4457/2009, foi devidamente concedida no dia 29 de setembro, conforme aprovação do Gerente do Licenciamento Eventual/GELEV, Sr. Alírio de Albuquerque e Melo Junior”, destacou a publicação.

Os organizadores da festa revelaram que por volta das 23h30 de sábado foram surpreendidos com a presença de dois militares do Corpo de Bombeiros, que solicitaram uma nova vistoria no momento em que já ocorria o evento.

“Durante a nova vistoria, fomos informados de que as medidas de segurança já aprovadas para o evento não eram suficientes e necessárias para zelar pelo público no local, o que já nos deixou indignados, uma vez que todas as medidas de segurança haviam sido adotadas”, afirmaram os organizadores.

 

 

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