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São anos de busca, sem nenhuma pista. Mesmo assim, a auxiliar administrativa Priscila Santos, 27 anos, moradora de Brazlândia, não desiste de procurar o pai que ela nunca conheceu. Após uma vida sentindo-se incompleta e de várias tentativas para achá-lo, Priscila acredita que as redes sociais podem ajudar na busca do avô de seus dois filhos.

Para entender melhor essa história é preciso voltar ao tempo, mais precisamente a 1989, quando a mãe de Priscila, Gildeci Avelino dos Santos, hoje com 54 anos, saiu da Bahia para tentar a vida em Brasília. Ao chegar à capital, conseguiu emprego como empregada doméstica em uma casa em Taguatinga.

Pouco tempo depois, uma amiga de Gildeci apresentou um outro amigo, que trabalhava como corretor no centro de Taguatinga. Ele era conhecido por “Manoel corretor”, e deve ter agora 52 anos .

Após um breve caso amoroso com o homem, Gildeci descobriu que estava grávida. Ela então procurou Manoel para contar sobre a gestação. Mas o homem negou que seria o pai da criança, foi embora e nunca mais deu notícias.

Para piorar a situação, a empregada doméstica, que já tinha outra filha ainda bebê, foi despejada da casa onde trabalhava, tendo que ir morar de favor com uma prima, em Brazlândia.

Priscila conta que, após o relacionamento com Manoel, a mãe se fechou e nunca mais se relacionou com outro homem. Ela seguiu trabalhando como empregada doméstica e criou sozinha as duas filhas.

Durante a infância, Priscila relata que passou por muitos momentos difíceis por causa da falta do pai e sempre sentiu-se incompleta. Na visão dela, a ausência de uma figura paterna levou até mesmo a decisões equivocadas na adolescência, quando chegou a se casar ainda com 16 anos. “Tive muitos problemas com meu primeiro marido. Ele era agressivo e eu tinha medo de fazer qualquer coisa, pois não tinha outro homem na minha vida para me proteger”, relembra, com lágrimas nos olhos.

Desse relacionamento, nasceu Camilly, primeira filha de Priscila e que hoje tem 10 anos. Após três anos de casamento, a jovem conseguiu se separar e voltou a morar com a mãe, em Brazlândia. “Naquele momento, me sentia fracassada por não ter uma família que sonhava. Senti muita falta de um pai na época”.

Ela conta que nunca desistiu de encontrar o pai, mas tinha dificuldade pela falta de pistas. “As únicas coisas que sei são o primeiro nome, Manoel, que ele trabalhava em uma imobiliária de Taguatinga, morava na época em Samambaia e, pelo que minha mãe diz, era moreno”. A jovem chegou a buscar o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do DF para tentar achá-lo, sem sucesso.

Aos 20 anos, durante o aniversário de um amigo, ela conheceu o empresário Edson Coimbra Yuzuki. Três anos depois, casou-se com ele e teve o segundo filho, Enzo, que tem dois anos. Com a chegada do menino, a vontade de encontrar o pai ficou maior. “Queria muito que ele conhecesse os netos, visse como são crianças maravilhosas.”

A vontade superou até mesmo receios que a impediam de expandir as buscas. “Tinha medo de expor minha história na internet por causa do julgamento que podiam fazer da minha mãe. Mas acho que não me sentirei completa enquanto não achá-lo”, diz Priscila.

A auxiliar administrativa garante não guardar rancor do pai, mesmo com as dificuldades por que passou. “Quero saber mais da minha história, quem ele é, se precisa de alguma ajuda”, conta. “Eu só quero abraçá-lo, chamá-lo de pai. A minha vida inteira quis chamar alguém de pai.”

Priscila aposta agora no poder das redes sociais para tentar encontrar Manoel. “Já recebi algumas fotos, mas minha mãe disse que nenhum deles era o meu pai.”

Por ter uma infância humilde, ela não tem fotografias antigas, da época em que era criança. Apenas imagens recentes da mãe, que, segundo ela, não mudou muito nos últimos anos e que podem ajudar na investigação.


Vamos ajudar?
Quem tiver alguma pista ou conhecimento sobre o paradeiro de “Manoel corretor”, pode entrar em contato com a Priscila pelo telefone 98471-2804.

 

 

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