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Mobilizadas por entidades sindicais e movimentos sociais, dezenas de categorias profissionais de todo o país vão cruzar os braços nesta sexta-feira (28/4) durante a greve geral. Elas trocarão os postos de trabalho pela participação em manifestações nas principais cidades do Brasil.

A greve deste 28 de abril é realizada no ano do centenário da primeira greve geral brasileira, que começou em junho de 1917, durou mais de um mês e reivindicou a proibição do trabalho para menores de 14 anos e o pagamento de 50% de horas extras, entre outros benefícios que foram consagrados na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), de 1943. A última mobilização desse tipo ocorreu em 1983 e contou com a adesão de 3 milhões de pessoas em todo o país.

Quase um século depois da primeira greve geral nacional, os trabalhadores brasileiros voltam às ruas para protestar contra o que chamam de “desmonte da CLT”, as propostas de reformas trabalhista e da Previdência e a ampliação das terceirizações nas atividades fins de órgãos e empresas nacionais. Na capital federal, os protestos devem reunir representantes de quase 30 categorias: são esperadas mais de 10 mil pessoas nos atos deste 28 de abril no DF, de acordo com estimativa da Secretaria de Segurança Pública.

Entidades da região do Entorno do Distrito Federal reforçarão os protestos brasilienses: os servidores municipais de Formosa e Valparaíso, ambos em Goiás, estão entre as categorias das cidades vizinhas que declararam adesão à greve geral.

Programação
As atividades em Brasília começam por volta das 8h. Há atos marcados nas imediações do Palácio do Buriti (assembleia do Departamento de Trânsito), no Setor Comercial Sul, na Torre de TV e área externa da Funarte (concentração dos rodoviários e outras categorias).

Outras 27 entidades do DF convocaram um grande ato, a partir das 11h, na Esplanada dos Ministérios — concentração no gramado central, em frente à Rodoviária do Plano Piloto. O evento reunirá trabalhadores, representantes dos movimentos indígena, de negros, de mulheres, dos sem-terra e de luta por moradia, além de estudantes e outros ativistas sociais.

As autoridades locais divulgaram um esquema especial de policiamento e bloqueio das principais vias da região central de Brasília. As alterações de trânsito tiveram início já à 0h desta sexta.

Seja para participar dos atos, seja para fugir de congestionamentos e manter a rotina, os brasilienses devem estar atentos quanto ao funcionamento dos principais serviços públicos nas cidades do DF. O Metrópoles preparou, e divulga a seguir, um resumo do que mudará nesta sexta de protestos para os habitantes do quadrilátero:

Corredores exclusivos

Michael Melo/Metrópoles
Para garantir o fluxo de veículos, o Detran e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) anunciaram a liberação dos corredores exclusivos para ônibus na EPTG, EPNB, Setor Policial Sul e avenidas W3 Sul e Norte para circulação dos demais carros, entre 0h e 23h59 desta sexta.

Estacionamentos na zona central
Os estacionamentos dos prédios ministeriais e das vias de ligação da N1 e da S1 serão fechados. Como alternativa aos bloqueios das vias da região central de Brasília, os motoristas poderão circular pela L4 Sul e Norte, além das vias S2 e N2 – que ficam atrás dos ministérios. Portanto, os demais bolsões de estacionamento ficarão disponíveis, como as vagas dos setores de Autarquia Norte e Sul.

Transporte coletivo

Tony Winston/Agência BrasíliaO Tribunal Regional do Trabalho 10ª região negou liminar que pedia a circulação de ônibus e do metrô nesta sexta-feira. Assim, com o aval da Justiça, os sindicatos dos Rodoviários e dos Metroviários (SindMetrô-DF) confirmaram que o transporte público ficará paralisado por 24 horas, a partir da 0h desta sexta. Além de motoristas e cobradores do DF, rodoviários de outras 17 capitais brasileiras cruzarão os braços durante a greve geral.

Educação

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Os sindicatos dos Professores da Rede Pública (Sinpro-DF) e dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinproep-DF) confirmaram adesão à greve geral. Os docentes da rede pública devem participar em massa da paralisação. Na rede particular, até a última atualização desta matéria, 20 escolas confirmaram participação, entre elas Sigma, Marista Champagnat e Carmen Salles. Os professores e servidores da Universidade de Brasília (UnB) também cruzarão os braços.

Saúde
Em nota, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde-DF) confirmou que os profissionais da área vão participar da greve geral. No entanto, a entidade não confirmou quais serviços serão afetados com a adesão dos profissionais da área à paralisação desta sexta.

Detran

Michel Melo/Metrópoles
Todas as atividades presenciais foram suspensas por 48 horas. Ou seja, não haverá expediente nas instalações do Detran nesta quinta (27) e sexta (28). Apenas os serviços on-line estarão em funcionamento. A paralisação foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Atividades de Trânsito, Policiamento e Fiscalização de Trânsito das Empresas e Autarquias (Sindetran-DF).

Bancos
O Sindicato dos Bancários do DF confirmou em assembleia realizada em 20 de abril que as atividades serão paralisadas a partir da 0h deste dia 28. Todas as agências do DF estarão fechadas nesta sexta. Como segunda-feira (1º de Maio) é feriado, o brasiliense só poderá resolver pendências nas agências a partir da próxima terça (2/5).

Vigilantes
Michael Melo/Metrópoles
Em assembleia realizada na noite desta quinta (27), a categoria decidiu aderir à greve geral. Desta forma, vigilantes de empresas e de órgãos públicos não assumirão seus postos de trabalho nesta sexta. A categoria reúne 20 mil profissionais em todo o DF.

Limpeza urbana
A categoria divulgou adesão à greve geral. Desta forma, atividades como coleta de lixo e varreção das ruas do DF estarão suspensas nesta sexta. 

Polícia Civil
Segundo o Sindicato dos Policias Civis do DF (Sinpol), a categoria aderiu ao movimento. O efetivo nas delegacias estará reduzindo nesta sexta, o que pode comprometer alguns serviços e investigações. O sindicato informa, porém, que será mantido o registro de ocorrências.

CorreiosDivulgaçãoOs trabalhadores dos Correios entraram em greve nacional, por tempo indeterminado, as 20h do último dia 26. Desde então, os profissionais realizam atividades para denunciar o que chamam de “sucateamento dos Correios”: a possibilidade de privatização da estatal, em estudo pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; fechamento de mais de 2 mil agências pelo país e consequente demissão de mais de 25 mil funcionários. Nesta sexta, eles se unem a outras categorias durante a greve geral.

CEB
O Sindicato dos Urbanitários e Eletricitários (STIU) confirmou que, durante assembleia na noite de segunda (24), a categoria decidiu cruzar os braços nesta sexta. A concentração para os protestos ocorrerá na CEB do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).

Judiciário e MPU
Em nota, o Sindjus-DF afirmou que a categoria vai aderir à paralisação e fará protestos em frente ao Congresso Nacional a partir das 9h.

Aeroportos

Michael Melo/Metrópoles

O Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), maior entidade representante da categoria no país, desistiu de participar da greve geral. O anúncio foi feito pouco antes das 20h desta quinta-feira (27). Assim, as operações de embarque e desembargue, assim como as atividades de comissários e pilotos, serão realizadas normalmente. Até horas antes, o sindicato garantia que os aeroportos teriam paralisações ao longo desta sexta, com início no turno da manhã e sem hora para acabar.

Comércio
O comércio em shoppings e de rua das cidades do DF funciona normalmente, de acordo com a Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio).

 

 

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