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Depois da tragédia com o monomotor que caiu na tarde de domingo (20/9) em Pirenópolis, namorada de piloto desabafa em rede social sobre os últimos momentos deles antes da queda. Polyana Resende afirma que o avião foi checado corretamente e que o namorado era experiente.

Emocionada, ela narra os últimos momentos ao lado do namorado, Erik Rigonato, 32, e do amigo Guilherme Lima, 31. Pede compreensão e respeito à dor que a família sente no momento.

O avião pilotado por Erik caiu próximo ao aeroporto de Pirenópolis (GO), às margens da GO-338. O acidente ocorreu por volta das 18h30. O piloto morava em Brasília. Guilherme trabalhava no Caldas Prev, na cidade de Caldas Novas (GO).

Arquivo pessoal

Polyana Resende e o namorado, Erik Rigonato, voaram para Pirenópolis na sexta (18/9)

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) vai investigar a queda da aeronave.

O depoimento na íntegra:

“Queria, de forma muito carinhosa, pedir um pouco mais de responsabilidade ao escrever sobre a queda do avião em Pirenópolis. Eu era a namorada do Erik Rigonato, que pilotava o monomotor. Viajamos juntos pra cidade goiana na aeronave da família na sexta-feira. Voltaríamos na segunda.

Iríamos passar o melhor fim de semana das nossas vidas. O último dele. Desde a partida de Brasília, ele foi extremamente cuidadoso fazendo a inspeção do avião. Verificou combustível, motor e fez o check list antes da decolagem. Fizemos um voo e uma aterrissagem impecáveis. Fez os mesmos procedimentos de segurança no dia do acidente. Ele era piloto há anos e tinha muitas horas de voo.

Arquivo pessoal

Polyana, o namorado e um casal de amigos voltariam na segunda-feira

Em nenhum momento eu ou a Carolina Cazelli, namorada do Guilherme (que também faleceu), dissemos que o Erik era inexperiente como piloto, como muitos jornais divulgaram. Nunca dissemos nada disso pra PM/GO. Nós assistimos a tudo no Aeroporto de Pirenópolis.

Eles nãos estavam fazendo acrobacias. Eles não estavam alcoolizados. Isso são inverdades que vêm sendo reproduzidas sem qualquer critério ou apuração cuidadosa. O que aconteceu é que, em certa altitude, o avião parece ter perdido a força e caiu em parafuso. Foi um momento aterrorizante para nós duas. Como não houve explosão e nem vimos fumaça, tínhamos uma ponta de esperança que eles pudessem sobreviver.

Arquivo pessoal

Polyana e Erik passaram o fim de semana em cidade de Goiás

Corremos desesperadas, nos embrenhamos na mata, sem conseguir respirar e em desespero. Quando nos aproximamos e vimos os corpos, caímos e urramos de dor. Foi o dia mais difícil das nossas vidas. Não tinha me pronunciado sobre o assunto porque a dor está grande demais. Mas está sendo muito difícil ver certas pessoas desrespeitando a memória deles, fazendo comentários rudes, reproduzindo mentiras.

No momento em que as pessoas deveriam enviar sentimentos, orações e acolherem os familiares e amigos, elas julgam. Não façam isso. Ambos eram pessoas incríveis. O Erik foi responsável e era uma das melhores pessoas que conheci. E não digo isso porque ele morreu. Quem o conheceu sabe que ele era muito, muito, muito especial.

O Erik era cordial com todos sem distinção; era um pai, um filho, um tio e um irmão amoroso; era generoso com os amigos e com quem ele mal conhecia; era educado, simples e humilde. Era dono de um sorriso largo, lindo e verdadeiro. Era incapaz de fazer mal a alguém. Ele iluminava os lugares onde estava.

O que me conforta um pouco era saber que ele estava muito feliz e sereno nos últimos momentos de vida dele. Que nós nos amamos com verdade, leveza e maturidade. Que ele pôde estar com amigos verdadeiros, com primas queridas e com o amor dele antes de fazer a passagem. Que ele possa ir em paz, com relatos dignos da pessoa grandiosa que ele foi em vida.”

 

 

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